sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Queridas Pessoas que Como Eu Caíram no Conto dos Concursos Públicos,

Vocês já ficaram tão duras que pensaram em tomar um porre e pagar com passe de ônibus?

Passaram tanto tempo com a cara enfiada nos livros, que, ao chegar da noite, olharam para o céu, suspiraram por três segundos “que lua bonita”, volaram a estudar, e no outro dia, leram no jornal que a beleza da lua não era por que vocês estavam vendo letras por longas horas, era, na verdade, um eclipse?

Já ficaram obcecados com suicídio? Não o de vocês, é claro. Mas, com da porra do secretário do seu chefe? Ok, tecnicamente, isso é chamado de homicídio, mas isso é detalhe.

Aluguei uns filmes, em busca de uma espécie de clausura preventiva, uma finaldesemantena, pois quando estou entediada, compenetrada e de TPM, oh, querida Internet, não é um espetáculo bonito. Eu podeira suicidar um monte de gente.

Quando cheguei à locadora, acredito que exalei algum ferormônio que dizia que eu precisava de amor no meu coração, pois, não um, mas DOIS atendentes começaram a se comportar come se estivessem sob o feitiço cordial da bunda de algum ursinho carinhoso, colocando em minhas mãos pilhas de filmes com Diane Keaton, Mandy Moore, Katherine Heigl e Jessica Alba.

Devo ter feito algum gesto facial, que expressou o meu desejo instantâneo de voltar para casa, deitar no meu quarto, no escuro e escutar Yo La Tengo até que a mão fria de um ceifador viesse me confortar, pois eles soaram como se tivessem cometido um equívoco e me perguntaram se eu não gostava de comédia romântica.

Internet, eu não gosto de comédia romântica, mas, puta que pariu, eu odeio apaixonadamente a Diane Keaton desde O Poderoso Chefão. Ela é a Regina Duarte americana. Sério, Internet, eu preferiria ter um final de semana com todas as despesas pagas no Hotel Ruanda, a ver um filme com ela e a Mandy Moore juntas. Se eu tivesse uma arma, elas estariam mortas de suicídio agora.

Agradeci e trouxe para casa: Reis da Rua (filme que Keanu Reeves mata de suicídio bandidos e policiais corruptos), O Gangster (com o Denzel sendo o cobrador de um figurão – e ele pode vir me dar uns tapinhas e me cobrar quando ele quiser), e , Sangue Negro. Internet, aquele tal de Daniel Day-Lewis não tem coração, é tão ruim, que eu subtamente me senti melhor comigo mesma. Ai, como eu queria ter visto a Daniel suicidar Diane.

Amor coisa e tal,

Jana

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

por Clara Arôxa

Não é amor. É mais, ou menos, nada certo e comprovado. É coisa de sentir. Não é um encadeamento lógico de ideias: uma ideia a mais uma b leva a uma conclusão c. Não. Não se trata disso, visto que são pessoas repletas de infinitudes e delírio. É coisa sem métrica, sem tempo, sem regra, só com palavras soltas. Mas entenda o “solta”, livres e completamente desprovidas de pontos finais ou parágrafos conclusivos. É justamente aquilo do ser. Três letras, aparentemente fáceis de escrever, no entanto, carregam embutidas nas formas um significado diferenciado. É preciso ser para encantar. Eles sabem ser e me encantar. É como fechar os olhos e conseguir capturar todos os instantes do outro, em um sorriso. É saber sentir a essência com os olhos e daí deixar-se ritmar pelo coração. É mais do que amor, é a leveza da minha (i)lógica. Entenda: o outro te faz feliz porque consegue reunir todas as qualidades suficientes para ser inteiro, todo e bonito. Conseguiu ter alma suficientemente clara para iluminar e inspiração necessária para me fazer ser poesia. É muito mais do que amor, é a mistura dele, a surpresa de encontrar, redescobrir, delirar.

É uma coisa que se parece com você.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Resoluções, por Samantha Abreu

foto de miceeatcheese
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Da minha janela vê-se o movimento onírico que me apetece. Desejos se misturam aos fantasmas, libertos pelo esfregar de mãos em garrafas geladas. Não quero mais olhar para o céu, já perdi a conta das estrelas, já perdi a conta do teu colar no meu. Não renuncio às febres que ainda terei, não abdico da violência pura e imediata dessa liberdade inexperiente que me pertence.
Negada a entrega, foi me imposto muro. Ainda revirarei páginas, secarei canetas, queimarei tabacos e gastarei amores.
Mas para você ou para o céu eu não olho mais.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sobre paraísos e diálogos imaginários IX, por Juliana Hollanda

Da série: what do we have?
what do we have?
what do we have?
if we don't have each other…
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- Defina verão?
- Amanhecer …
- Amanhecer?
- Sim. Quase sempre, somos transportados para um mundo de nicotina e estrelas e essas estrelas conversam comigo e você é a primeira pessoa para quem eu falo sobre isso.
- ...
- Eu todas as noites sou obrigado a mergulhar no céu.
- ...
- Isso começou a acontecer no ano passado e eu fiquei confuso. Eu sonhava, me sentia pequeno, crescia de novo e me espantava. Amanhecia e eu absorvia a quietude da manhã.
- ...
- O som do silêncio dos amanheceres você conhece bem, mas eu quase nunca percebi. E é maravilhoso o barulho de um carro há 1 km de distância...
- O vento soprando nas árvores soa como estradas engarrafadas na sala do meu apartamento.
- Eu vejo cometas noite após noite após noite após noite após noite ...
- Todas as noites.
-É, e eu tento manter meus pedidos, meus desejos e me fixar, focar neles. Eu vivo nervosa por antecipação e sabe o que eu percebi depois desse tempo todo?
- O que?
- Que nós quase não nos conhecemos e agora estamos dividindo sacos de dormir.
- Sabia que todas as vezes que eu penso nisso eu sinto cócegas internas.
- Desculpa, mas é porque eu ainda não toquei em você neste local; digo, na parte interna do seu corpo, mas eu acho que esse sentir precisa de mais tempo do que nós temos disponível agora.
- É, nós viemos aqui para o meio desse nada para descobrir lugares escondidos e para estacionar em uma garagem aberta na base das montanhas.
- Estamos no limite da cidade e encontramos o nosso refúgio.
- É ! Conseguimos fugir das lavanderias e das banheiras de hidromassagem dos motéis e da minha casa e do seu apartamento e da gritaria dos bares ...
- Essa experiência está sendo divertida, não?
-Sim, divertida e estranha e silenciosa e até agora eu estava tímido, mas isso está sendo tão bonito que se alguma coisa nessa vida é certa... essa coisa é que eu acredito no amanhecer.
- Eu também.
- Então isso se chama ...
- Recomeçar?
- Defina Inverno.
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domingo, 15 de novembro de 2009

Entre Elas: Caco Pontes

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ela é
o elo

cativa e desespera

quem dera fosse
EU
além do ego,
inteiro
sabendo que assim
não há quem surpreenda
ficaria menos neurótico
pelo dinheiro
e outros itens
que o mundo recomenda

sina insana
reza braba

e seguir vivendo
como se não houvesse
lástima, râncor ou mágoa.


Caco Pontes
, poeta, de linhagem maloqueirista, pagando o aluguel da vida. lançando versos e idéias ao mundo, vasto mundo (sem acordo ortográphico)... sonha em conhecer sua prima vedete e tal qual Oswald ou Vinícius, casaria-se muitas vezes, nesta vã e vasta existência, com a literatura.
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sábado, 14 de novembro de 2009

Meados de Novembro, por Patrícia Lage

Há mar.
Ao mar.
Sem protetor solar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Luz dos Olhos, por Janaina Lisboa

Quem olhar convictamente para luz de seus olhos há de notar circulando as suas pupilas que se dilatam e contraem inebriadas por ele, existem várias elipses amarelas.

Oh, minúsculas pétalas de um girassol, perdidas em meio à vastidão da íris cor-de-noite-sem-estrelas, como flores que mesmo em par estão solitárias e perdidas a procurar incessantemente por seu sol.

Toda noite, antes de dormir, espera que alguém bata palmas e quebre o seu encanto para que quando feche os olhos essas flores - incandescentes e oníricas - parem de crescer do lado de dentro dela.

Girassóis raros, os de fotossíntese inversa.

Solitários na luz, crescem e se multiplicam no escuro.

E queimam.

E queimam a noite dentro dela durante a visita de Morfeu.

E procuram.

E procuram por seu astro-tirano sem pestanejar, assim que as pálpebras abrem durante o dia.

Jardineiro-infiel, aquele que não quis cativar a sua visão e ainda é dono de seus sonhos.

Um dia esses olhos haverão de enxergar, e só te verão (inverno) cheios de mal-te-queres.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Segundo, por Clara Arôxa

Hoje eu não vou te acusar de nada.
Muito menos desvendendar todas as minhas
tênues linhas de amor
pr´a você.

Vou ficar aqui
enquanto você devora
sua carteira de cigarro extra forte
e acredita que o dia só começa
depois do teu primeiro
sorriso.

Em dias de chuva,
as lágrimas descem
mais fácil
e eu posso parar
apenas pr´a
ver o segundo que antecede
o teu sorriso.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Minha Última Guerra, por Samantha Abreu


Da minha janela,
todo o espaço que é mundo
(lá daquele canto até o outro),
não me cabe.

Meu peito,
inchado,
está ativando
os pinos
de um campo minado.

Dentro de mim
começou
a última guerra.