terça-feira, 6 de novembro de 2007

ATRÁS DE UM DISFARCE, por Samantha Abreu

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foto: Lilya Corneli

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Atrás de um Disfarce
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.....Sueli trabalha no hotel Remanso, na metade da BR365. Sua mãe também já tinha trabalhado lá e ensinara à filha, desde pequena, que devia impor respeito àquele bando de homem sem paradeiro que passava pelo local. Explicara que eles procuravam apenas descanso, chuveiro e, se possível fosse, uma companhia relaxante. E que não fosse a dela, ave!
.....A garota, desde então, se veste recatadamente e não sabe olhar nos olhos. Disfarça, abaixa o olhar, não encara. Quando a mãe se deu conta do sucesso da boa educação que dera à filha, descansou. Filha minha é exemplo, dizia ela, orgulhosa.

.....No restaurante, alguns caminhoneiros perguntam curiosos e excitados pela tal garota que deixa as polêmicas fitas de vídeo nos quartos, todos os dias. Cada vez um show diferente.
.....Sueli sabe fingir, mas gosta mesmo é de arrancar a roupa todas as vezes que faz a arrumação daquelas camas e sente o cheiro suado daqueles desconhecidos. Leva a câmera dentro do cesto com lençóis e faz daqueles quartos sujos seu pequeno estúdio de fantasias. A que mais gosta é pintar as unhas dos pés de vermelho e se imaginar de pernas ao alto, dentro de uma boleia.

.....Se existisse mesmo vida após a morte, a mãe já teria voltado para buscar a garota e acabar, de uma vez, com tamanho desgosto.



Samantha Abreu
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38 comentários:

Paulo Bono disse...

enfim, uma putinha eficiente.

abraço, Samantha

Juliana G. Mello disse...

Definitivamente, não há como moldar alguém. Somos humanos, temos prazeres, desejos... Infelizmente a mãe da moça não soube deixá-la trabalhar os seus. Deu no que deu.

"Mucho" bom, Sa! o/\o

Tenho que comentar mais os posts... saibam que sempre venho aqui ler as novidades, mas é sempre com pressa, acabo não comentando.
Parabéns meninas, isso tá uma maravilha!!

Linda Graal disse...

hummm!!...dona do melhor disfarce!!

beijo

_ _ _ _ t _ _ disse...

Ai ai... as encubadas s�o as piores! Conto curto e recheado, muito bom! Gostei daqui. O t�tulo bastante original tamb�m. Vou visitar sempre! :D


Beeijos!

Marcus Vinicius disse...

E que disfarce! rsrsrs

Gostei muito do texto... Gosto muito da forma como vc escreve! Sensacional!


bjs

KARLA JACOBINA disse...

Hoje é dia de Sá, maravilhosa que Só. >>> Isso vai virar sua chamada, hehehe.

Inteligente e sensual.
A sacadinha do poema é ótima e a fantasia então...

T de Texto

Beijos.

Jana disse...

Duas fantasias...

beijos

ALLEZOOM disse...

vai daí pro vice versa: da arte pra vida! Tanta gente assim...camuflando seus gostinhos..rs!
A manta de Sá (rs) abriu!
bjs

MIGUEL BARROSO aka Girassol disse...

ah.....todos os ácaros dos colchões ela os coleccionava....

Polly disse...

Adorei, Samantha!
Anônima, ela seguia em disfarces.Sem deixar de realizar suas fantasias, mas preservando sua identidade...faltou-lhe liberdade e coragem pra assumir quem era, coisa que sua mãe provavelmente não soube ensinar.

Yara disse...

Caraaaca.. e que disfarce hem! Mto bom.. definitivamente nao dá para "educar" uma pessoa, e ela fez maravilhosamnente bem, seguiu seus instintos, mas nao desapontou a mãe.. Perfeito Samantha.. já disse q sou sua fã né? rsrs Beijoooks

http://literaturainside.blogspot.com

Paulo Castro disse...

Perfeito.
Tem o tamanho certo, poder de concentrar em poucas palavras todo e necessário foco narrativo. Isso é forma.
Conteúdo é pimenta. Não do reino. Mas da estrada. Do road movie. Com Nelson Rodrigues na era digital. Pedaços, fragmentos de mulher capturados por uma lente obscena. A do desejo.
Boléia do camimhão, beira de estrada, café amanhecido com a garçonete mal-humorada. Letreiro de Neon. No meio disso tudo: o que não se pode conter.
O que ninguém, mãe alguma, pode adestrar. Conselho de amigo algum pode ter um sincero "pois sim".
E vc é safada. SA-FA-DA. Nelson Rodrigues tinha dentro dele uma moralidade arraigada. Vc não. A mãe é sarreada com um sorriso maroto ( safado, já disse) no conto, derrotada na fantasia. E vc, safada ! , é cumplice do fantasiar...
Beijos.
°

anjobaldio disse...

Vocês estão demais nesse blog. Parabéns.

Salve Jorge disse...

E o que seria de Sueli
Se por ali
O suor livre
Lhe percorresse o disfarçe
Se porventura
Ao invés de subsumir
Resolvesse dar-se
E fugir
Do castigo de prazer fulgazes
Aposto
Que os desgostos costumazes
Serão o oposto
Do que lhe aguarda...

Marcelo Mendonça disse...

a força do dom de cada um

Lais Mouriê disse...

Esse conto me fez pensar: quais são os meus disfarces?

Mandou bem, Sá!

Bjos

disse...

Maravilhoso.

Por trás de todo moralista há um devasso. É pq vc não escreveu um conto sobre a mãe dela, caso contrário, conheceríamos o lado "pervertido" dela tbm. ;)

Lindo, Samantha. Bjs.

Grazinha disse...

Uahahahahaha...

Parece aquela personagem da Juliana Paes (esqueci o nome)... Uma santinha-do-pau-oco rsrsrsrs

Enfim... As pessoas são meio assim mesmo: muitas faces combinadas de uma maneira única. Adorei!

poupéezinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
poupéezinha disse...

Concordo com Paulo completamente; deliciosamente- Ssssafada...
Bjs Linda.

Notícias Mentirosas disse...

Ráá!
Legal, gostei. Obrigado pelo convite.
Vou linkar vcs lá, com a foto, inclusive!
beijo e vida longa!

lowcura - Rodrigo de Souza Leão disse...

Cada um usa a máscara q tem. Bem legal. Parabéns. beijo.

paulo dauria disse...

E quem não tem seus disfarces?
Poucos tão deliciosos assim!
às vezes nos disfarçamos tão bem, que já não sabemos quem é quem:
A personalidade assume o disfarce e o disfarce assume a personalidade.
Mas será que não é assim mesmo? Será que, no fundo, a Sueli, eu e todo o salão de mascarados não somos nem arrumadeiras disfarçadas de stripers e nem stripers disfarçadas de arrumadeiras, mas arrumatripers?

Grande Beijo
Paulo DAuria

l. rafael nolli disse...

Antes de mais nada, Samantha, o blog é muito bacana!
O comportamento, no fim de tudo, está além das molduras.
Claro que é possível - olha o behaviorismo aí - mudar uma pessoa. Sobretudo nessa sociedade judaico-cristã aversa ao prazer e que vê tudo como perversão.
Mas para que essa transformação ocorra, deverá ser efetuada a anulação dessa pessoa. E isso é mal.
Gostei da história dessa guria e suas fantasias!

Abraços para ti!

4rthur disse...

é, quando começou com aquela descrição pura tal qual água benta, eu imaginei que Sá acabaria nos levando para algum fundo falso rodrigueano... Ótimo texto, e ótimo conceito o desse blog.

Beijo.

Carol Domingues disse...

Adorei o texto. Nós muelheres sempre temos os nossos disfarces e essa menina achou um ótimo!

Bjosssssssssss

Ni disse...

Sueli sim, é humana. E mais: milher que não esquece de si e de suas vontades nem do próximo, a mãe.
O complicado é ser você mesmo sem ferir alguém.

Gostei bastante daqui, já conhecia as palavrinhas da Laís, da Karla e da Gabriele, ótimo grupo! :)

Maz disse...

quem era o pai de Sueli?
:)

Anônimo disse...

E quê»?
Remanso... cheiro suado...
fantasias de pernas ao alto,
geram
boa educação.

Tá aí!!!

Cada vez que subo em seu carrocel é vertiginoso não tem meio nem fim.
Kim

Tyler Bazz disse...

Muito da safadinha essa Sueli...

FINA FLOR disse...

esse espaço ficou bonito demais, moça!!!!!

e que bom que a moça dos lençóis se divertia, rrsrsrsrsr*

beijos e boa semana

MM.

moça. disse...

isso me comprova ainda mais que as mais recatadas são as mais safadinhas!

muito bom o conto. e o blog é super aconchegante. vim por convite da lais, e virei fã.

beijo.
=]

Gabriele Fidalgo disse...

hahahah

Muito bem escrito, Samanta.
Inteligente e humano.

=*

jupyhollanda disse...

Texto delicioso de ler e bom pra pensar...
Amei!

Bjos

Ju

MARIAESCREVINHADORA disse...

Não adianta botar passarinho na gaiola. Ele tem asas pra quê?
Mais dia, menos dia a menina cansa de abrir pernas só na fantasia, descobre que pode voar e aí, danou-se tudo...
Maravilha de texto, Samantha.
Parabéns!

Conceição

Ana disse...

Fantástico, Samantha!
Adorei... :-)
Visite tb o www.debaixodospanos.blogspot.com.
Beijo
Ana
www.mineirasuai.blogspot.com

Milene disse...

Gostei tanto de Sueli!
Lembrei tanto da boa (má)-educação a qual tenta aprisionar o que não é passível de prisão.
"o que não tem medida nem nunca terá." Chico Buarque.

Me nas linhas incontidas de Sueli.

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny