quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Na parede do criador, por Lais Mouriê


Pintura: Henry Matisse



Ela era a obra inacabada e alterada do criador.

Um homem sem lei e com juízo sem valor.

Meros rabiscos de cores indistintas

num corpo parco e ornado de mentiras.


Ela era a obra dele, pedaços de pirataria.

Ele a contrabandeava por debaixo dos lençóis.

Arte vendida a qualquer preço,

valor dado a qualquer imitação.


Ela era o quadro nu para os erros dele.

Brancura para ele pintar e aproveitar.

Ele a pendurou na parede

e ela sentiu-se sua grande criação.

17 comentários:

disse...

Que imagens! Ai, ai... esse é meu blog de cabeceira. :)

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Iasminne disse...

Simplesmente LINDO!

Gabriele Fidalgo disse...

Ai Lais, isso que escreveu de certa maneira cutucou algumas de minhas feridas. Mostra uma dor delicada.
Nossa! Lindo lindo mesmo!

Beijos =]

MARIAESCREVINHADORA disse...

Laís,

Teu poema vai fundo, disseca as entranhas da mulher cachorra, dominada e sem noção.
Adorei.

Beijo,

Conceição

SAMANTHA ABREU disse...

Lá!
lírico, poético e extramamente bonito.

Parabéns!
Um beijO!

jupyhollanda disse...

uh-hu, LÁ!!!

Grande obra da criadora... ;)

Bjos

Ju

Salve Jorge disse...

E na parede ficou
Enquanto o criado circulava
Algumas vezes ela fitou
Outras tantas, ignorava

Eram muitos os quadros
As estátuas, as fotos, a mobília
Tudo por ali enquadrado
Quase uma família

Enquanto ele partia
E às vez voltava
Tudo por lá pendurado
Tudo que por ele esperava...

E.R.L. disse...

bunito hein?!

KIMDAMAGNA disse...

"O quadro nu ,peda�os de pirataria
uau!!"

encontrei a terceira identidade de voc�s sete, NZUMBI seu nome: alma antepassada, alma errante que se enriquece, esp�rito que importuna � isso a NZUMBI.
� doce, mas importuna.

http://kimangola.blogspot.com/2007/11/almofadada-de-veludo.html

Parabens por chamar a aten�o das "Evas"

Kimangola

Mi disse...

"brancura para ele pintar e aproveitar".

Tão lindo.

Lais!

é tão vermelho o seu branco.

Mayara disse...

estava com saudades até das suas cores e suas letras tão intensas sabia?!

Paulo DAuria disse...

Mulher de malandro, mulher incompleta se procurando. Ela se encontra dia desses, ela sai dessa!

Grande Abraço

Padre Alfredo disse...

Maravilha! parabéns

KARLA JACOBINA disse...

Que bom que alguém viu beleza e arte nela e na Amélia.

Beijos!!

KARLA JACOBINA disse...

Só poetas têm olhos pra isso.

Lu Cavichioli disse...

Li tudo como quem sorve um copo de água na sede desenfreada.
Há muito não lia nada tão inteligente e cadenciado como este poema/conto, pra mim - uma história em versos.

Excelente!
Abraços