segunda-feira, 12 de novembro de 2007

NUS, por Karla Jacobina

Marta Ferreira

Nenhum vestido Dior no armário. Nem mesmo um vestido comprado na liquidação das Pernambucanas.
De tanto esperar que o “tomara” caísse, decidi deixar os trapos de lado e andar por aí como vim ao mundo: peladona.
Experimente, você. Vá ao boteco de cueca, na igreja de fio dental, dance no viaduto de jaleco, sinta calor, calafrio, cale a boca, berre de birra e cabisbaixe-se de vergonha. Negue sua nudez três vezes e depois que o galo cantar, arregaçe as mangas, baixe as calças e dispa-se.
Nus somos nós, apenas estávamos por debaixo dos panos.

15 comentários:

KIMDAMAGNA disse...

Pelado cabisbaixei-me por cima dos panos. "Tomara" agora em voo
dançando, sentindo calor, calafrios, as calças se foram, também as mangas. Nu?
Sumptuosamente me senti vestido, ao "vê-la" desnudada em nós.

Maravilha sua (P)rosa.
KIm

Maria Muadié disse...

"Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio, viverpelado, pintado de verde, num eterno domingo..."
Lembra de Rita Lee? Eu apoio.
Beijo,
Martha

paulo dauria disse...

Oi Karla!
"Nus somos nós, apenas estávamos por debaixo dos panos"
E no começo do texto tudo parecia apenas uma brincadeira, mas aí você finaliza assim, falando de máscaras e fantasias! De verdadeiros eus ocultos!

Perfeito!
Grande Beijo

Gabriele Fidalgo disse...

Adoro esses seus textos fortes, Karla.

Aliás, eu concordo com as suas palavras.
Identifico-me.

beijos

Salve Jorge disse...

Nus
Nós
Nos
Nós
Nossos
Ossos
Os sós
Sem
Sim
Cinto
Sinto
Assim
Nus...

SAMANTHA ABREU disse...

yeah!
gosto do que se diz por debaixo dos panos...
as roupas e manequins nos disfarçam, não é Karlinha!?

me mata de orgulho, essa menina!

Um beijO!

Grazinha disse...

Intrigante.

gostei!

José Calvino disse...

Texto forte, Karla. Gostei e como a nudez é feita com as admirações poéticas, peço permissão para exprimir:OLHOS
Eu vi o meu amor/Ela toda nua/Eu ensaboado/Enxaguava o seu corpo/Vagarosamente.../Cada detalhe/Eu acompanhava/Tão lentamente/Eu a via com prazer/Aquele corpo/Ela também/Com os olhos brilhando:/Queria tocar/Queria cantar/Queria dançar/Queria amar/Viver de amar/Olhos nos olhos/Comer com os olhos.
Bjs,
José Calvino
Recife

disse...

Karla, como sempre um texto brilhante.

Voltemos ao "paz e amor" dos hippies, viremos naturalistas e vamos falir as lojas de roupas.

Quero ter um bar havaiano numa praia e mtos livros pra ler. Ai, ai...

_ _ _ _ t _ _ disse...

Boa dica!
E pra ser sincera eu já cansei dessas falsas mantas que me pesam sobre o corpo. Acho que o que há por baixo tem muito mais a dizer - principalmente sentir.
Vou dar a cara - e o corpo -a tapa
depois eu vejo se vale a pena ou não.
hehe


Bom texto! Adorei!


:***

jupyhollanda disse...

uh-hu!

essa moda vai pegar Karlinha!!!!

Como diz o fragmento de um poema meu: não dá pra ser GUCCI o tempo todo
eu quero que tudo se PRADA!

Bjos

Ju

poupéezinha disse...

Toda nudez será castigada, despetalada, e convocada. Essa busca é muito verdadeira. Poucos são os que se assumem despido de qq veste de Apathéia.

Beijos Mulherlinda - Adoro encontrar fêmeas-navalha.

Claudia Sousa Dias disse...

Seria interessante...


:-)

CSD

Lais Mouriê disse...

Adoraria andar nua, sem máscaras ou panos para encobrir meu eu!

Belíssimo, queridona!

Ana disse...

Hummm... debaixo dos panos... é que eu tenho mais... é por debaixo dos panos que eu vou fazer... é por debaixo dos panos pra ninguém saber...
E despir-se é libertar-se da camisa de força do mundo que nos cerca.
Beijo
Ana
www.mineirasuai.blogspot.com