quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Ande, por Lais Mouriê

Foto: Miguel Santos

Quando não se há paixão para mover-te
mova-te mesmo dela isento.
Ela não se importa com suas andanças
nada quer saber da sua escassez de propulsão.


Ande à revelia de sentido
esqueça que seus pés não sabem aonde ir.
Caminhe torto, mesmo em luto,
mesmo assim, mesmo assado.


Mesmo que considere o amor ausente
ande, caminhe, trote para qualquer estrada.
Recolha seus cacos e seus trocados
e compre carinho para viajantes solitários.


Arraste seus restos de esperanças imbecis
mesmo que elas teimem em te deixar.
Delas irá precisar, um dia
quando não mais dor sentir.

17 comentários:

Gabriele Fidalgo disse...

'Arraste seus restos de esperanças imbecis
mesmo que elas teimem em te deixar.'

Ai Lais, é tão bom ouvir algo do tipo, as vezes. É como um empurrão ou um chacoalhão!

Adorei o texto.

beijos

Siloé disse...

Hoje está bom, serei o primeiro a comentar... me lembrei de uma música que vc nem deve gostar tanto... 'se a paixão fosse realmente um bálsamo, o mundo não pareceria tão equivocado... a paixão já passou na minha vida, foi até bom, mas ao final deu tudo errado, agora carrego em mim uma dor triste e um coração cicatrizado. sei que tbm dizem que não existe amor errado, quero respeito e sempre ter alguém que me entenda e sempre fique ao meu lado, mas não, não quero estar apaixonado!' - - - bom,,, gosto mto dessa música, mas, qto a mim, realmente, acho que ainda quero estar apaixonado!!!!
bjos!

Siloé disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana disse...

Junte os caquinhos, pois não vale à pena jogá-los fora... Reciclar é bom e é preciso! ;-)
Adorei.
Beijos, Lá.
Ana.
www.mineirasuai.blogspot.com

anjobaldio disse...

Belo poema. Quando a gente pára de sentir dor, a gente morre.

Salve Jorge disse...

Ande
Há quem mande

Assim, assado
No fio da navalha
Rodopios no espaço
Espasmos
Pasmos
Escorrer pela calha
Talvez um agrado
Trutas contra a correnteza
Cortês servir a mesa
Mas não fique presa
É crime de lesa magestade
Mas é tarde

Então ande
Há quem mande

Mas pode-se voar
Mesmo que sangrem as asas
Olhando as formigas em procissão
Esperança
Aceita a dança?
Seja franca
Bem serve a França
Mas Pasárgada se iluminaria acaso por aqui andes...

Raf´s disse...

Caminhos sem rumo, passos sem sentido, vontades sem destino ou alvo,
Andar no escuro só com a luz da esperança é especialmente difícil pois ela é muito flutuante e geralmente só aponta p/ cima e nossas canelas batem contra tudo e contra todos.
Cansei desse nogócio d andar o lance agora é correr. Já bati a cabeça tantas vezes q acho q meu cérebro já ñ está funcionando tão bem e sinto um AVC iminente pronto p/ me transfosmar em um débio mental ou um vegetal sem sentimentos.

Caramba, escrevi até demais p/ um comentário. A culpa é da Laís por escrever tão bem.

Bjs

Paulo D'Auria disse...

Quando nem mais dor sentir, Laís, vou voltar para te ler. Pra me encher de vida e poesia!

Beijo

Alisson disse...

Maravilhosa a poesia. Me traz a certeza de que o estou vivendo não é experiência única. Mas, por enquanto, o que me falta não é propulsão, nem direção. Até resolver meus dilemas, prefiro ficar só.

Bubices disse...

Lalá querida.

Que delicado!
A vida sempre insistente,
que nos convida a caminhar mesmo quando vacilamos.


amo-te.

Aline disse...

Vocês acham que dão vida aos versos e somente isso. Enganam-se! Cada parto desses é um choro agudo infantil que nos acorda.

!!
*

Biaaahhh disse...

Eh...Minha vida anda sem amor...Gosti muito do seu blog...Se vc quiser a gnt pode se linkar...Beijinhus!!!
=]

Biaaahhh disse...

E parabéns pelo livro!!!

Paulo Castro disse...

Isso á algo zen-budista.
De estrangeirismo essencial, ontológico.
O abandono nas geografias mentais,reais, que se cruzam em mapas existentes e cidades de Calvino, as invisíveis.
É Jack Kerouac.
É Albert Camus.
E o que pra mim importa: é minha história.
E "em verdade, em verdade" eu te digo, pequena gostosinha, quando a gente esquece o amor, quando a gente não precisa mais (histericamente) dele, é que começamos a aprender o que é amar. É aí, que como já disse acima Syssy, que ganhamos asas.
Ou voamos pra longe e viramos uma oração sublime de silêncio e solidão escolhida, a solidão amorosa, ou aprendemos a fingir no meio dos parados e a andar junto com outros fantasmas de carne viva como nós.
Beijos.
°

Fabrício Fortes disse...

maravilhoso.. esse já está na minha lista de favoritos..
as esperanças acabam sendo úteis, cedo ou tarde..

alan disse...

"Recolha seus cacos e seus trocados
e compre carinho para viajantes solitários"
já estudei essa lição... é dificil mas passa.
adorei o poema.
bjão

Jota disse...

De novo, vivas à teimosia!