sábado, 15 de dezembro de 2007

Imagem: sexto continente



















Estremeci quando ela disse:
'Cuide bem do seu abismo'.
Pensava estar sob um véu
e descubro que arrasto (in)visível
meu precipício.

Faço cipó de letras
e desço.
Teço corda de texto
e retorno.
No despenhadeiro
marcas de unha e memória.

Martha Galrão

11 comentários:

disse...

Metalinguagem das boas.

KIMDAMAGNA disse...

emites teus pensamentos em palavras.
"incorporadas" "ordenadas" "aninhadas"
Fição e realidade_ mesclam se, interpenetram se, mas não há confusão em mim ao ler te, simplesmente porque não considero que seja metalinguagem. Para mim é aquémlinguagem.
Agradecido pela "cordas que teces"

Kim

José Calvino disse...

Marthinha tece fatos poéticos, evocando a memória de uma "situação insustentável", de um abismo (ficção)em que potencializa a linguagem escrita com enorme criatividade. O texto ocupa dois espaços:o do precipício refletindo a natureza do perigo e o do despenhadeiro propriamente dito, mostrando numa organização própria, o retorno triunfal!!!
Valeu, poetamiga!
Bjs do,
Calvino

Fabrício Fortes disse...

as marcas de unhas, ao menos, cicatrizam e deixam de existir..

Lais Mouriê disse...

Comigo aconteceu o contrário. Pensei que carregava um abismo, e estava projetada para o céu...

Perfeito, como sempre, querida!

Ludmila disse...

Adorei!

Mujer Amauta disse...

Cuidar bem dos abismos e dos "clarões"...

E quando não sabemos onde estará os nossos despenhadeiros?

Muito legal!

;~.

SAMANTHA ABREU disse...

parece que foi pra mim.
Sob medida.

ê Martinha...

Salve Jorge disse...

Alguém me disse
Que quando fitamos o abismo
Este nos fita
Do cume ao cismo
Mas qualquer coisa que visse
Há de ser bonita
Pois sua profundidade
É proporcional
À amplitude dos nossos passos...

Paulo D'Auria disse...

Martha!!!

"...e descubro que arrasto (in)visível / meu precipício. // Faço cipó de letras / e desço."

Que que é isso, menina?!!!
Metapoesia M A R A V I L H O S A !!
Coisa de gente grande!
Quando eu crescer, quero escrever assim!!!

Beijos

Jota disse...

É sinistro o que a gente encontra lá em baixo, né?