quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Soneto para uma quase loucura, por Lais Mouriê


Então, aquele frenesi era apenas para me enganar;
sortilégio para me persuadir
a cair na lábia dos seus lábios grossos e quentes
e agarrar seus braços para não cair de tonta?


Deveria ter suspeitado que o seu gemido
(um sussurro curto entre muros)
era um canto de sereia macho e ladino
prestes a lançar-me encantos e paixões desmedidas.


Deveria, mas resolvi deixar-me iludir
pelo seu abraço quente demais
e que fazia ferver qualquer coisa entre meus seios.


Sempre soube que toda volúpia era para me ensandecer
e deixar a razão distante do momento
que eu descobrisse o logro do seu amor.
-

16 comentários:

Gabriele Fidalgo disse...

Lais, fica difícil comentar, viu!?
Adorei a intensidade das palavras. Adrei adorei! Muito bom mesmo!!


Beijoos

anjobaldio disse...

Todas vocês dos Versos de Falópio são escritoras de verdade. Que o ano novo seja ainda mais criativo. Bjs.

Ni disse...

Lála!
Faço minhas, as palavras da Gabriele e digo que fica difícil dizer qualquer coisa, quando há tanta identificação com as letrinhas. Sempre as tuas letrinhas, acho que me sabem de algum jeito!

:*

Paulo D'Auria disse...

"Deveria, mas resolvi deixar-me iludir" Porque toda volúpia é sempre para ensandecer.

E todo este talento não é sortilégio para nos persuadir!

Coisa linda, Lais!

Jota disse...

Perfeito, Laís, perfeito!

Se me pedissem pra renomear teu poema eu o batizaria de "Soneto para Charles Darwin"!

Anônimo disse...

Bonito, moça.
Levinho.
Amor é isso mesmo. Deixar-se levar sabendo dos riscos e ignorando a razão. Sorver até a última gota do que nos faz superiores e eleva a alma.Viver os momentos felizes, o que vem depois,a gente dá conta depois.

José Calvino disse...

Querida Lais,
Versos de Falópio nos elevam espiritualmente... É preciso ver longe.Declamar o seu soneto e depois, dizer de viva voz:"Estou com um alto astral!!!"
Gostei muito.
Mais uma vez, parabéns!
Beijos do,
José Calvino
Recife

soldadonofront disse...

!! Muito Bom !!

KARLA JACOBINA disse...

Lá,

Dentre tantos, gostei principalmente desse aqui:

"e agarrar seus braços para não cair de tonta?"

Beijos

Cin disse...

Esse foi pra fechar o ano com chave de ouro?
Lindo flor...e que em 2008 vc continue com toda essa inspiração.
Bjinhos!

Iara disse...

realmente, um arraso! a escolha das palavras e a intensidade que elas reproduzem o sentimento é bem veridico. parabens pelo talento!
"Sempre soube que toda volúpia era para me ensandecer", ha se pudessemos anular a emoçao certas vezes.. parabens!
adorei o blog das garotas, adorei esse seu Lais!
um dia chego perto, rs..

Paulo Castro disse...

O mais legal do soneto, baby:
Pra mim todo soneto é uma sedução. A forma faz assim. É um jogo de xadrez, de ir conduzindo o leitor até o último verso e lá, cair de boca nele. Ou nela.
Aqui vc faz um soneto( sedução) sobre a sedução.
É dupla sedução.
É muita sedução pra alguns.
Pra mim, a festa começa aí. Quando a sedução é entrega de vencedor vencido, mas não romantizado em vitimização: o objeto do desejo também é capaz de sedução.
A sua metalinguiagem mostra isso.
Me seduziu essa sua liguagem.
Capite ?
;)
°
beijos.
°

josé guilherme fidelis disse...

cada vez me surpreendo mais com esse blog! eta mulherada que sabe gosta precisa e consegue escrever. parabéns! do peito mesmo! aprareça no meu pra dar uma olhada:

http://artificcional.blogspot.com/

beijo e muita escrita em 2008!

Calebe disse...

De mim, Laís, me diga, só podem ficar as reticências em um soneto como esse, não?

Claudia Lis disse...

Muito intenso Lála! Palavras com uma pontinha de desejo reprimido pelas circunstâncias. E dói de vontades sufocadas e de lindo que ficou.

=)

Adriano Caroso disse...

Viva as loucas, ou quase, como você. DEZ!