quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Concreto, por Lais Mouriê



Tento beijar o vento que passou
em teu corpo molhado pelo nosso sexo.
Em vão, como é vã a minha procura louca pelo seu cheiro
nos lençóis recém chegados da lavanderia.
Rabisco círculos que tentam imitar teus mamilos
em que derramei o sangue escondido em minha saliva.
Em vão, como é vã a persistência da minha pele
em deixar perpétuas as tuas digitais.
Gozo com a dor em minhas mandíbulas
que tentavam arrancar a dentadas a tua rendição.
Em vão, como é vã a saudade da tua lembrança,
pois tudo que sou é tua impalpável presença.

7 comentários:

jucosfer disse...

mas... há a vida...
esta nem é tão vã assim...

The Immature Girl disse...

no momento estou muito independente, pra minha exostência depender de outra pessoa, hehehhee...
mas é muito bonito!
bjus!

Adriano Caroso disse...

Muito lindo, romântico e extremamente sensual! Um primor!

Salve Jorge disse...

Foi concreto
Mesmo que abjeto
Fez-se objeto
De tua atenção
Quando correu a mão
Espectante de uma rendição
Mas esfacelando-se contra a concretude
Amiúde
Fiz tudo que pude
Tentando não ser rude
Mas passou
E o que restou
Foram as cinzas de uma imaginação...

Paulo D'Auria disse...

Isso, Lá! Poesia é isso!

Muita gente já foi beijada pelo vento, mas é a primeira vez que alguém tenta beijá-lo!

JJ disse...

Deveras vão, devo dizer. Muito estrógeno leva a este ambiente onírico pouco original. Saliento: no vácuo, todos nós morreremos.

Abs

PS: aguardo os poemas da TPM!

Guilherme Albinno disse...

novamente admirado :)