sábado, 12 de janeiro de 2008

Excesso de lucidez por Martha Galrão









foto: Haroldo Abrantes

Sobressalto, vertigem,
solidão.
Se o sentido me escapa,
o juízo retorna
a quantas miligramas?
rivotril, olcadil, frontal, paxan.
A fina teia se rompe diante dos meus olhos:
ansilive, valium, pondera, diazepan.
O mundo inteiro dissolve
no suor frio das minhas mãos:
dormonid, lorax, celibrin, alprazolam.

10 comentários:

Adriano Caroso disse...

Sem receita não pode! Eu nem tomei meu remédio de coração hoje!

Adriano Caroso disse...

Isto está me cheirando, sem nenhum tipo de duplo sentido, a Síndrome de Pânico, ou Transtorno Bipolar? Maravilhoso!

Adriano Caroso disse...

"O mundo inteiro dissolve no suor frio das minhas mãos" Aonde você foi buscar essa?

Paulo D'Auria disse...

Martha,

Excelente!

Ah, a química cerebral... Muito fácil tratar o incurável assim.
Sim, o mundo dissolve no suor frio de nossas mãos. Dissolve, escorrega, foge. Um comprimido resolve?

PS: E o pulso, ainda pulsa?

Beijos

Karla Hack disse...

Foto em perfeição com o texto
Texto que por sinal é intenso e criativo!!

;DDD

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bjus

José Calvino disse...

Calvino disse...
Danou-se Marthinha! Poema que se refere à mente, não é preciso ir ao médico!!!,rsrsrs
Só faltou gardenal, amplictil... água que passarinho não bebe!,rsrsrs
Calvino nas pingas

SAMANTHA ABREU disse...

arrepiou.
esse foi uma dos que me bateu mais forte.

Um beijo, Martinha!

Clóvis Campêlo disse...

Marthina:
Se a alucidez nos custa os olhos da cara, a insensatez é distribuida gratuitamente nas esquinas do mundo.
Não sejamos nem a rima e nem a solução.
Tudo tem a sua própria lógica intrínseca.
Teus olhos me falam de serenidade.

MARIAESCREVINHADORA disse...

Genial, Marthinha.
Difícil é escapar mesmo sem juízo.
A quantas miligramas?
Adorei.
Beijos,

Conceição

Jota disse...

E quem tem identidade quando as pílulas falam mais alto?

Às vezes é mais gostoso assim...