terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Liberdade é Roxa, por Samantha Abreu

Quando resolveu se separar dele, tinha decidido nunca mais arrumar homem meloso, que a tratasse bem demais. Não gostava de ninguém ‘no seu pé’ e queria conhecer de perto a tão falada independência feminina.
Ficou meses fugindo, enquanto ele a seguia implorando para que voltasse pra casa e o amasse de novo. Mas ela, irredutível, buscava a sua própria revolução sexual.

Anos mais tarde, apaixonou-se por Valdemar logo que o conheceu. Ele estava jogando bilhar em um bar do centro da cidade e tinha um aspecto grosseiro, meio seco e direto, do jeito que ela sempre sonhou. Em alguns meses, já estavam morando juntos e, a partir de então, ela acreditou que, finalmente, saberia o que era ser independente, mesmo convivendo com outra pessoa. Poderia experimentar a liberdade de continuar participando dos encontros femininos nas terças, no bar da avenida Paris.

Na primeira terça-feira, enquanto bebia e ria com as amigas, Valdemar apareceu para buscá-la aos socos e pontapés. Apanhou tanto, que teve certeza de que se o tal polonês Kielowski tivesse vivido a liberdade, nua e crua, saberia que ela de azul não tinha nada.
Ela é, mesmo, muito roxa, igualzinha àqueles hematomas.
.
.
.
.
foto:snjezana josipovic

12 comentários:

enten katsudatsu disse...

EU SOU O PRIMEIRO HOMEM, O MELOSO QUE ELA ABANDONOU. É ENGRAÇADO JÁ TIVE UMA NAMORADA QUE CASOU COM UM CARA, ELE A COLOCOU EVANGÉLICA NO TALO... RISOS... COISA PRA LÁ DE ESTÚPIDA.

BACANA SEU CONTO.

Beijabraços.

Cássio Amaral.

disse...

Que coinscidência, ontem eu assisti o filme A LIBERDADE É AZUL.

Não no caso dessa pobre moça, a dela é bem roxa mesmo, como você descreveu. Adorei Sa!

beijo

Paulo Bono disse...

PUNCH! PRAFT! POCT KATAPUN!
Receba, safada.

abraço, Samantha.
senti saudades dessas histórias femininas.

Bianca Feijó disse...

ah, vai, um meloso às vezes não é nada mal...rsrs...uns roxinhos de vez em quando também não é nada mal...rsrs...

Beijos querida!

Fabricio Fortes disse...

já conecia esse, mas é sempre bom reler coisas interessantes..

José Calvino disse...

Querida Samantha,
rsrs Se Kielowski lesse o seu texto antes de concluir sua famosa trilogia das cores (A liberdade é azul, a igualdade é branca e a fraternidade é vermelha.)Olhe! Realmente ele iria ver que a liberdade é, mesmo, muito roxa.
Essa liberdade...rsrsrs
Adorei!
Beijos do,
José Calvino

Adriano Caroso disse...

Comento depois que conseguir parar de rir...

Maz disse...

entre tantas marias mal amadas, os roxos e as cicatrizes...só o tempo! Enfim, que seja breve.
:*

Sérgio Luyz disse...

..não ri...
...acho que não era para rir...
...será que era? Se era, sou mesmo muito tosco, insensível...
...mas, já ouvi mulher dizendo que essa coisa de metrossexual, só mesmo a metros de distância...sei lá...talvez tudo tenha mesmo o tempo certo...inclusive as cores...

Bjs!!

(tem novidade lá na trama)

The Immature Girl disse...

mmm... saudade dos filmes do Kielowski ... pra mim o melhor é a igualdade é branca, aquele funal, sempre traz lágrimas de esperança...
bjus!

Paulo D'Auria disse...

Samanthinha quérida!

Agora vejo que você é de Londrina mesmo! Terra de Arrigo Barnabé!
Ninguém de Maringá teria tanto talento assim!
A liberdade é roxa pra quem se casa com homem que tem aquilo roxo!

Beijos mil

Grazzi em ContRo disse...

Liberdade, amor..todo mundo diz que quer mas dar que é bom..

beijo.