quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Andréa del Fuego

ilustração de Ray Caesar
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O centro da criação não está sobre a terra, tampouco no meio da galáxia. O centro da criação, embora não seja fixo, não nos visita. Centros existem pra expandir o seu redor. Dentro das células, dos átomos e partículas menores, há mais vazio que conteúdo. Se sou o núcleo aqui, os elétrons estão lá. E por mais que eu ande, não tocarei os limites do meu corpo. O limite vai se estendendo, longe do próton que o permite girar na velocidade que eu quiser. Um bambolê em uso que a cintura da menina ora se opõe ora não ao círculo de plástico. A cintura da menina está longe o suficiente para que uma era completa não a sinta. Por isso o buraco negro não regurgita pistas, mas gases. O que acha que há numa menina, senão oxigênio e rodopio?
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conto do livro Engano Seu, de Andréa del Fuego
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3 comentários:

Salve Jorge disse...

Há nela
Ou nelas
Nalgumas ao menos
Uma certa magia
Que eu chamo entropia
Que pro tal dicionário
Significa que a existência está perdendo energia
Mas eu, ao contrário
Prefiro crer isto ser
A intermitência
O intertício
A fronteira
A linha tênue da beira do abismo
Onde jaz o rodopio
O desvario
O mais saboroso delírio
É onde o fogo dança...

Paulo D'Auria disse...

Pensei em um milhão de coisas e, de repente me dei conta que todas elas são oxigênio e rodopio: sonhos, alegrias, frustrações, esperanças e por aí vai... Tudo, tudo oxigênio e rodopio!

Beijos

anjobaldio disse...

Muito bom.