sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Blink Awake, por Syssy Virtuale


Konia debatia-se. Gritava muda enquanto seu espírito buscava uma saída daquele corpo-túmulo. Este, por sua vez, contorcia-se em convulsões.
No breu absoluto e em meio a murmúrios alheios e irreconhecíveis, ouviu um sussuro muito próximo:
- Abra os olhos Konia;
Era Moria. Havia sido Moria que a seduzira a este plano. O convite fora irrecusável, em um rito insano de adulação mútua entre ela e duas de suas súditas prediletas, Farta Condição e Pouca Consciência,`as margens do Letes nas ilhas Afortunadas. Essa adestradora abatera o espírito de Konia rondando-o com seu chicote como a um animal de circo. Este, por sua vez e para a sua infelicidade, não conseguira sucumbir.
Em um pseudo-escape nada além do físico, Konia não passava de uma fugitiva ilusória. Moria continuava a visitá-la em seu plano onírico, incessantemente. Konia só mudou a latitude.
Foi neste torpe cotidiano que Konia conheceu Morósofo, o terapeuta. Quando este entrou em sua vida, forçou as pálpebras de Konia para ver se ela reagiria a luz. Como um fino iniciado, passou a tratar de sua amada com suas verdades delirantes e pílulas carnais. Dia-a-dia bajulava-a com muito afeto e longas agulhas, cujo intuito era o de sangrar o coração e mente de sua pupila (im)paciente. Foi com muito amor autoritário que a vestiu em sua camisa de força;
Glutão, alimentava-se da demência de sua fantasma como se em um banquete anababesco.

Konia compreendeu com o tempo que sua liberdade encontrava-se no ato de arrancar o útero abortado de Moria e no retorno ao seu próprio ventre.

2 comentários:

SAMANTHA ABREU disse...

Gata!
que texto é esse!?
puta texto.
Metáforas de vidas, de amores, de horrores, de ardores e entregas.
Metáfora plena, rica.
Bom demais, Syssy.

um beijoOO!

Paulo D'Auria disse...

Tadinha da Konia, mas Farta Condição e Pouca Consciência, com duas conselheiras como estas... Só podia dar no que deu!

Beijos