terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Cordões de Folia, por Samantha Abreu


.....Os dedos escaparam e quando ela olhou para trás... não o viu mais. A multidão continuava e a empurrava para frente, cada vez mais distante de onde tinham se soltado. Cordões de carnaval calorosos são tão frágeis a empurrões.
.....Ela tentava se agigantar sobre tantos ombros e avistá-lo em alguma roda. Mas era inútil. Confetes se misturavam à suor, fantasias e braços ao alto.
.....Era apenas diversão e, para ela, a separação fora tão imposta e tão dolorosa.

.....Naquela festa, ela aprendeu tão bem o que é se perder de alguém, que nunca mais sentiu a mesma dor quando seu caminho desviava de quem a acompanhava.
.....Seguiu solitária pelos gritos carnavalescos e pelos gritos desesperados da vida.
.....No fundo, os gritos eram apenas dela. Mudos e abafados.



15 comentários:

Daniela Lima. disse...

Amores líquidos no carnaval. ;*

enten katsudatsu disse...

Samantha,
Gosto da sua escrita.

Amiga, na real ela me perdeu.

Repito:

Ela me perdeu!!!!

Beijabraços e muita luz.

Cássio Amaral.

Ana disse...

Ah...quando os cordões se desfazem, a dor é infinda!
Bela metáfora para a separação.
Um beijo!
Ana

Lunna Montez'zinny disse...

Adorei a metáfora construída a partir da dor e da separação junto ao carnaval. A intensidade da desilusão e o olhar por cima da situação num constante que ignora a perda e frisa a retomada. Bravo.

Grazzi em ContRo disse...

Ahh..então..somos todos areia..de vez em quando purpurina!

Beijos!

KimdaMagna disse...

.....No fundo, os gritos eram apenas dela. Mudos e abafados.

Nos fundos oceânicos por onde Kiandas os sons diluem se em águas...são mesmo mudos e bafados porém cristalinos e melodiosos

Reconheci o espírito ( da água)que a tudo se liga.

Xaxuaxo

Bianca Feijó disse...

é, solidão imposta e dolorosa,até mesmo no carnaval,onde tudo como mencionou, é diversão!

Adorei Sa!

Beijos!

disse...

Perder o bofe no trio elétrico...adorei!

Isso é para aprender a não pular o carnaval...hahaha

disse...

Separações de qq espécie são dolorosas, mesmo as que deviam ser simples.

Lindo, Samantha. Pra variar. :P

Fabricio Fortes disse...

tenho dois comentários a fazer:
1°) o carnaval tem mesmo a capacidade de ensinar coisas sobre a vida de uma maneira que não se esquece jamais..
2°) muito bonito esse texto.. das melhores coisas tuas que já li..

Paullo Phirmo disse...

e "a vida é mesmo assim", como diria minha ex-professora de teorias da personalidade I... Tereza Coelho.

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ah, impermanência. digo eu.

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"eu quero alguém que quando acabe fevereiro, o ano inteiro venha comigo morar. quero um amor que vá além da brincadeira e que depois da quarta-feira ainda queira namorar." [Além da Brincadeira - Marcelo Quintanilha]

Grazielle disse...

um primor...
separação indevida! melhor agora que depois

Paulo D'Auria disse...

"e quando ela olhou para trás... não o viu mais. A multidão continuava e a empurrava para frente" Nooossa, isso me faz lembrar tantas coisas!

Beijos mil

L. Rafael Nolli disse...

Engraçado como no meio de uma multidão selecionamos uma única pessoa para nós. Creio que o Nietszche falou sobre isso, o amor fati. E te digo, Samantha, que é algo que me impressiona muito. Bacana o texto, que mostra a solidão - e a dor - no meio de uma das festas mais populosas e alegres que se tem notícia! Abraços para ti!

Paulo Bono disse...

é o fim do carnaval.