quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Retorno, por Lais Mouriê


Parti às cinco horas da tarde, com o sol cegando meu raciocínio e uma passagem de ônibus executivo para a cidade onde nasci. Larguei meu travesseiro e minha geladeira para trás, assim como tudo que busquei nesta cidade grande. Larguei fechaduras e um telefone que nunca tocou. Banquei a durona e não chorei quando despedi-me do buraco onde enfei minha cabeça para não ver minha falta de sentido. Talvez sentirei saudades de não possuir nada para saudar. Quiçá desejarei retornar ao envolcro que me protegia de cicatrizes e digitais. Peguei o ônibus das cinco e voltei para a minha cidade. Lá eu voltarei a sofrer, enfim.

5 comentários:

Grazielle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Grazielle disse...

A dor de voltar a ser o que não é mais...

adorei

Cristal disse...

vidas sem nos
vidas com eus
vida com pouco
vida sem muito
infinitos estilos de vida
e quem disse que nunca sofreu?
aguarde novos sofreres
mas tambem muitos aprendizados
alegrias
e muita gratidao
pq afinal
eh a vida...

Paulo D'Auria disse...

Lá como cá, o sofrimento vai aonde nós o levarmos. E a alegria também.

Beijos

Salve Jorge disse...

Venha-se embora para Pasárgada
Pois aqui és amiga do rei
E se sofrés na tua cidade
Aqui terá uma morada
Sua vontade será lei
O sofrer seu um lema
Nenhum u terá trema
E só sua maldade terá vez...