domingo, 2 de março de 2008

Asma, por Juliana Hollanda


quando todos os cadernos estiverem preenchidos de vazio
e os amores não mais corresponderem à poças de lágrima, angústia e medo

quando gaitas coloridas
soprarem açúcar e juras de amor na minha boca
e a paixão representar no palco da vida; jardim

quando flores cheias de taquicardia
ficarem mais fluor
as cores; mais neon
e o medo não mais apavorar os sonhos de princesa...

quando príncipes
cada vez mais sapos
congelarem os braços em volta da cintura de seus objetos de desejo
e
desistirem de mostrar sua fortaleza falsa
em formato de traição, desamor, desdém....

devo confessar que sem você é difícil
comer, dormir, fazer o básico!

é difícil me vestir e não te ver
me cega.

te ouvir dá um alento
mas ainda assim é difícil respirar.

6 comentários:

Germano V. Xavier disse...

Belo poema, Hollanda!
A necessidade presente e faca de gumes tortos a perfurar as ânsias humanas normais...

Cada vez mais apaixonado pela trupe "falopiana"...

Beijos e abraços daqui...
Germano
www.clubedecarteado.blogspot.com

Salve Jorge disse...

Falta o ar
O par
Um réles jantar
Qualquer coisa
Apenas pra compartilhar
Um olhar
Um se deixar ficar
Falta um sabor
Que dava a cor
E tom
Que fazia ser bom
E o silêncio
Muito melhor que qualquer som
Não pelo frescor
Mas pelo labor
De você
De nós
O nó
Que precedeu o pó
Que causa essa asma
Que da dó...

P.s - Acho que foi seu melhor texto que já tive o prazer de por aqui ler...

jupyhollanda disse...

obrigada aos queridos...

Salve Jorge e Germano.

Bjos

Juju

José Calvino disse...

Querida Ju,
Lendo o seu texto, identifiquei bem "Versos de Falópio", próprio de quem leva a sério a arte de escrever. De+!
Beijos do,
José Calvino
Recife

Paulo D'Auria disse...

Quando todos os cadernos estiverem preenchidos de vazio, estaremos privados de tuas flores com taquicardia... Ah, não! Isso, não!

Beijos

Daniel disse...

a "fortaleza falsa" é mesmo um perigo. bem lembrado!

abraços