quinta-feira, 13 de março de 2008

Defasagem, por Lais Mouriê


Não entendo o pôr-do-sol de hoje. Tudo estava presente: o sol vermelho-terra que queimava levemente as pontas dos meus cabelos; o vento vindo de algum mar longínquo; a tristeza de um pássaro que cantava para o dia que acabava; e eu, de olhos fechados temendo ficar cega pela luz. Mas tudo estava ausente. Tudo que um dia fez o sol nascer mais claro e a pele queimar ferozmente. Tudo que aquecia algo dentro-forte-fundo-pulsante. Tudo que fez-me errar e não me arrepender.

A nostalgia era doce e amarga na tarde de hoje. O vazio era barranco que teimava em não desabar pela tempestade. E havia a saudade que não tinha nome, mas chamava você. Chamava porque o grito era mudo e você jamais ouviria.



Era vespertina a minha defasagem. Era tarde mais uma vez.

6 comentários:

QUEIROZ disse...

Sempre tarde como sempre. Já reparou que os melhores filmes tem um tarde demais para alguma coisa?

Salve Jorge disse...

Laís
E um sol
Lilás

Mas aqui
Bem no aqui
Sombra
Lírio
Até um certo frio
Lápide

Sois
Lápis
Mesmo depois
Mesmo se acabou o feijão com arroz
Pois sois lilás
Azul, vermelha, amarela
E muito mais...

Germano V. Xavier disse...

Pois vieram à hora errada, o gosto sem marca... um querer ser feliz que a gente sempre espera, por que a vida é espera...

Gostei do texto,Laís!

Abraços!
Aparece...

Germano

Daniel disse...

muito sensível a descrição, e muito boa a última frase, contruindo dois sentidos para a palavra "tarde".

adorei o blog! vou linkar! vocês escrevem muito (percebi pelos perfis)

SAMANTHA ABREU disse...

Sensibilidade total, baby.
um amargo na boca... e um refresco na alma.
Um beijO!

calebitto disse...

Puxa, seu texto me comove!

Simplesmente lindo. Sem muitas palavras... só queria dizer que me identifiquei pra caramba.

Abraços