domingo, 23 de março de 2008

Trigonometria, por Juliana Hollanda


cores são triângulos isosceles
tão iguais e disformes como nossos corpos putrefatos
depois de uma morte inesperada.

a vida poderia e deveria ser linear e emocionante como a musiquinha do Indiana Jones,
mas passamos os dias à subir montanhas,
as noites - a escalar everests com nossos corações em sobressalto
o eterno zumbido insistente: "bem me quer; mal me quer" em nossos ouvidos.

a cabeça gira
e não sabemos o porquê.

na verdade,
não queremos enxergar que:

os abismos e o amanhã são fatal e completamente previsíveis

deve existir um caminho para isso tudo
que não o precipício.

4 comentários:

Paulo D'Auria disse...

Adorei esse contraponto de tédio do dia a dia com as emoções da paixão, compondo uma espécie de tédio da paixão (tão previsível como o cotidiano): "os abismos e o amanhã são fatal e completamente previsíveis"

Genial!

Beijos

Pan disse...

"deve existir um caminho para isso tudo que não o precipício".
Esperamos que sim! Enquanto não temos certeza, é muito bom ler e sentir o que o caminho para o abismo provoca. Adorei.

José Calvino disse...

Querida Ju,
Gostei de sua genialidade em citar esse caminho para o abismo. Na minha opinião, religiosamente falando, existem dois caminhos: O do bem e o do mal.
Devemos seguir o do bem e não o do precipício, não é verdade?
Beijos do,
Calvino

Beatriz Provasi disse...

Lindo, Ju! Esse precipício em que a gente se joga não é ao acaso, tem razão de ser. porque só quem se joga tem a sensação do vôo... uma hora a gente cai, se quebra toda. mas valeu! triste de quem nunca voou. beijos!