sábado, 8 de março de 2008

Vocação para a saudade



"Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis."
Carlos Drummond de Andrade
Eis que,
de um secreto investimento
em formas improváveis,
irrompe em meu sonho,
você.

Em meu sono,
encosto na memória do seu corpo,
do seu abraço,
evoco sua boca e suas palavras
quando eram doces.

Martha Galrão

8 comentários:

José Calvino disse...

Marthinha, vc exorta todas "Falopianas", que nós estamos sempre próximo a poesia em busca de satisfação. Você é bastante sensível à memória: da vida, do amor... O seu poema é intensamente lírico, transmitindo tudo de bom para à beleza do mundo.
Parabéns, poetamiga!
Beijos do,
Calvino
Recife

Germano V. Xavier disse...

Muito lindo, Galrão!
E essa citação aí do C.D.A. é perfeita...
Poeisis, vivas!!!

Parabéns...

Abraços, Germano.

Conceição Pazzola disse...

"Em meu sono/encosto na memória de seu corpo,"
É o que faço todas as noites, amiga.
Beijos,

Conceição

Sílvia Câmara disse...

Bonito, Martha. Muito bonito.
É uma sensação maravilhosa quando um poema nos inspira a criar.
Parabéns por escolher Drummond.
um beijo

Dolfo disse...

Que possam ser sempre doces.

Belo poema moça.

Bjos

Clóvis Campêlo disse...

Do sono ao sonho a diferença não apenas uma consoante muda.
Há todo um arcabouçorompendo com os esteriótipos das convenções.
No sonho ficamos nús.
O sonho nos dá asas.
Difícil é verbalizar isso poeticamente.
E você o fez bem.

Salve Jorge disse...

Eis
Quem
Desinvestido
Pelo improvável
Salta dos sonhos
Um fauno

Lambendo o sono
Arrepia os pêlos
Acaricia os cabelos
Verborragia tua
Da doçura nua

Tânia França disse...

Essa vocação sempre me atormenta... e você a traduziu lindamente!