quinta-feira, 24 de abril de 2008

Entrega, por Rita Santana

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Afundo os meus navios
Olhando o quanto sou fogueira de velas muitas.
Marca na testa é sinal de deusa Musa.
Limpo o chão da casa dos meus súditos,
Colho as ervas finas do dia,
Ancoro repolhos no molho branco,
E digo não, quando quero.
Ademais, quem disse que eu presto?
Protesto demais pra uma coisa fêmea,
Memória me diz:
Lugar de mulher é no silêncio,
Tormentas, é homem quem sofre.
Estou em cada comboio de gente que busca alento em lugar,
Arreio, em comarcas, o meu assombro
Dessa lida de malas abarrotadas de pedras.
Minha mãe nem sabe da mesma sina.
Vontade sinto de cortar caminhos
Por onde passa esse rio vermelho.
Cansei-me, há muito, de ser,
Só trago continuísmos de lesmas.
Recuso-me a dormir calada,
Alada, voaria até o sol para derreter-me as asas.

Rita Santana

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3 comentários:

Paulo D'Auria disse...

Rita,

Belo poema!
Gostei de muitas passagens como "Lugar de mulher é no silêncio, Tormentas, é homem quem sofre." E especilmente do final: "Alada, voaria até o sol para derreter-me as asas"

Conflito de sentimentos bem traduzido em versos!

Parabéns"

KARLA JACOBINA disse...

Virgi! Rita, que poemasso!
O feminino aí, em arial 12.

Beijo.
Karla Jacobina

casé disse...

adorei!!!