quinta-feira, 10 de abril de 2008

Milena, por Cida Pedrosa

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gosto quando milena fala
dos homens
que comeu durante a noite

é a única voz soante
nesta cantina de repartição

onde todos contam:
do filho drogado do preço do pão
do sapato carmim, exposto na vitrine
da rua sicrano de tal do bairro
de casa amarela
onde você pode comprar
e começar a pagar apenas em abril

sem a voz de milena
o café desce amargo
.
.

3 comentários:

Paulo D'Auria disse...

Caraca, Cida!
Pedrada!
D++++++!

Versos cortantes e diretos!
Adorei!

Vivi de Oliveira disse...

Interrompi o que ouvia para comentar o que li aqui. A voz de Milena e os versos de Maria Muadiê fizeram com que meu café não descesse mais. Precisamos de Milenas e Marias!

Maria Ana disse...

eu já li esse poema em algum lugar e não me lembro onde e ele simplesmente me pegou como um soco de esquina!!!
adoro!!!

lindo!