domingo, 11 de maio de 2008

Cesariana, por Juliana Hollanda

(Olhares.com)

no ontem do teu nariz
avistei o universo que arrastava-se
por entre os óculos
que empoeiravam minha visão.

no ontem do teu queixo
embacei meus olhos de espuma do mar e lixo deixado na areia
corri das almas perdidas que
assombravam sentimentos de unhas vermelhas...

a quentura congelava o corpo vazio,
cheio de nós.
nós existíamos no espaço
de um instante demorado
no estômago que se contraía.

a dor de barriga provocava contrações.
tinha chegado a hora de parir os
monstrinhos miniatura vindos de Paris.

você me ajudaria a dar a luz;
eu teria meu filho em segurança,
ele teria amor de pai.

meu filho não choraria na primeira hora,
nem na segunda...
dias depois me acordaria aos berros
querendo mamar.

ele cresceria forte como um javali selvagem,
um touro vadio.
teria olhos de gato
falaria a língua do amor.

meu filho seria um profeta,
um esteta,
seria...
poeta!

um Deus do vinho,
da virtude,
da virilidade!

meu filho seria meu,
se ele fosse nascer.

Obs:

*Feliz dia das mães para todas as mulheres que já receberam essa dádiva e também para as que ainda não.

*Toda mulher é mãe, nasce mãe, mesmo que não tenha filhos (ainda).

2 comentários:

KimdaMagna disse...

Muito lindo e verdadeiro.
Poesia assim é um vai/vém de sedas se roçando...

Xaxuaxo

Paulo D'Auria disse...

Oi, Ju!

Belo, belíssimo poema!

Beijos