sábado, 10 de maio de 2008

Chovia manso, chovia triste, chovia fino
e eu olhava devagaríssimo seu rosto.
Até a ilha está chorando, disse o rapaz
estendendo-me o búzio.
Tive receio de tocar suas mãos.
Coloquei o búzio no ouvido
para escutar a voz do mar.

A concha não tenho mais
(e chove a cântaros em minha terra),
tenho as cartas, letras de amor
guardado, murmúrio de mar.

Martha Galrão

5 comentários:

º.::calebitto::.º disse...

Que perfeito. Um detalhe marcado para sempre. Uma recordação. Um amor.

Acho que estes detalhes da história, que muitas vezes descortina nossa percepção, é justamente o que precisamos aprender. Aprender a captar estes detalhes. Eles emolduram nossos sentimentos e entalham nossas histórias de amor.

Este blog é um acalento pra alma. Parabéns a todas vocês. Um forte abraço.

José Calvino disse...

Marthinha, você não imagina como me deliciei com as recordações. Por coincidência aqui (Recife) chove a cântaros desde ontem à noite. É um texto que mata as saudades da praia, do amor:
"(...)Coloquei o búzio no ouvido/para escutar a voz do mar...guardado, murmúrio de mar"
Beijos,
Calvino
Recife

Paulo D'Auria disse...

Martha, o que foi isso? Um dos mais belos poemas que já li!

Perfeito, perfeito!

Parabéns!

MARIAESCREVINHADORA disse...

Doce é recordar e recordar é acordar de novo o coração, o amor perdido, o passado que não volta mais.
Lindo, querida.
Beijos,

Conceição

Maria Muadiê disse...

Ô gente, bom demais a leitura de vcs,
beijo,
M.