domingo, 25 de maio de 2008

Que tudo o mais vá (...), por Juliana Hollanda


(olhares.com)

É falsa minha rebeldia de loja de shopping e meu estilo de menina moderna.
É falsa minha vontade de não ser.
Escrevo palavras soltas a sua espera.
Engordo na falsa esperança de te sentir; emagreço as ilusões que largo no espaço.
Falsifico pronomes e sinônimos.
Minha língua não é mais minha.
Meu cabelo despenteado demonstra minha indignação.
O ponteiro marca as horas passadas do tempo.
Nada chega com facilidade.
Nas minhas mãos, tudo o que seguro quebro.
Tremo!
Sinto dores na coluna, vazio no peito, ausência de coração.
Ansiosa por saber o final, chegar ao fim do caminho, percorrer a linha tênue entre vida e morte.
Com fio de nylon e anzol pesco falsos peixes.
Mergulho no mar revolto para afogar as mágoas do susto que você me deu.
Quero esquecer tudo.
Peço de presente de aniversário: amnésia e porres intermináveis.
Depois vou dormir toda torta no sofá.
Acordo refeita.
Atitudes verdadeiras vão curar minha enfermidade.
A saudade me faz doente.
Te amo!

Um comentário:

Paulo D'Auria disse...

"Sinto dores na coluna, vazio no peito, ausência de coração.
Ansiosa por saber o final, chegar ao fim do caminho, percorrer a linha tênue entre vida e morte.
Com fio de nylon e anzol pesco falsos peixes." Adorei toda essa passagem! Belo texto!

Beijos