terça-feira, 17 de junho de 2008

Infertilidade, por Samantha Abreu

foto de Margarida Delgado
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Dei três pulos dentro de um lugar chamado breu, e o que escutei foi eco. Eco do ventre seco, infértil, morto. Ele gritava, com voz rouca e falha: “teu mundo acaba em ti, mulher. Teu mundo acaba em ti”.
Não tenho filhos, não sei produzir vida.
Sim, já tentei pular, espernear, pirracear.
Mas ele, o ventre, azedo,
me faz cara feia e passa dias emburrado, se contorcendo.
É aí que me doem as cólicas.
Mas vida, mesmo? Nunca.
Meu mundo acaba em mim.
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8 comentários:

Linda Graal disse...

sim sim...vamos ao breu...né, a-breu!?! rss... esse é um dos que eu mais gostei de tudo o que já li teu!!!!!!!!!!

maravilhoso!!

besos guapísima!

Grazzi em ContRo disse...

Adoro ler seus filhinhos todos!

Fabricio Fortes disse...

filhos, flhos...

Wallace Fauth disse...

nosso mundo sempre acaba na gente, apesar das tantas e tantas voltas, entre encontros e desencontros.

Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana disse...

Quem não pode quer ter, quem tem queria não poder ter...
C'est la vie...
Beijo!

Gabriel disse...

Os seus versos, as coisas que imagina, o perfil aí ao lado, tudo: tudo povoando aqui a minha cabeça...

Aline Aimée disse...

ai, beleza que dói...