domingo, 13 de julho de 2008

Abstinência, por Juliana Hollanda

(olhares.com)
Cigarro sobre a mesa
um canto em surdina
rompe a madrugada
e soluça para a noite que morre.

A chama
queima meus olhos
a solidão
queima minha alma.

Vozes sussurradas
atravessam a janela
e vem ferir meu cérebro.

As folhas
movem-se num redemoinho
mas não se afastam da árvore amiga.

Tudo isto eu sinto,
tudo isto existe
mas, uma monotonia interior
me rodeia
e tento dormir
até que a vida desapareça...

É preciso que eu esqueça
os pensamentos que me impedem
de viver
mas, é mais fácil fugir...