domingo, 6 de julho de 2008

Maremoto, por Juliana Hollanda

(olhares.com)

Quando eu chego e tudo fica calmo
dá uma vontade de fazer bagunça
desarrumar as janelas do corpo
e visualizar a alma confusa

Dá vontade de virar criança,
falar "tatibitati",
tomar sorvete,
lambuzar os cabelos,
mascar chiclete com a boca aberta,
fazer barulho.

Vontade de sujar a roupa,
Deitar na terra...
porque tá tudo calmo demais
e quando tá tudo calmo,
a gente desconfia que isso vai passar
e aquela onda da solidão de ontem vai chegar
e derrubar tudo pelo caminho.

Então é melhor bagunçar tudo agora
pra não deixar a calmaria se instalar
é melhor bagunçar tudo agora
porque a solidão de hoje tá batendo
e quando a de ontem chegar
vai confundir a de amanhã

a bomba vai explodir
estilhaçando cacos na nossa cara,
desfigurando partes do nosso rosto,
desrespeitando a estética que achamos coerente com nossa imagem.

A tristeza vai alugar o apartamento coração
e tudo vai ficar mudo.

As paredes estáticas; sem andar
as luzes vão queimar pra se esconder
os olhos fechados calarão
o corpo fraco desfalecerá
o desmaio vai ser fatal
e o cérebro ficará sem oxigenação por horas...

Vamos fazer bagunça!!!

Tá tudo muito calmo por aqui
e eu tenho medo de calmaria.

Um comentário:

Gabriele Fidalgo disse...

Oi Juliana. :)

'porque tá tudo calmo demais
e quando tá tudo calmo,
a gente desconfia que isso vai passar
e aquela onda da solidão de ontem vai chegar
e derrubar tudo pelo caminho.'

Gostei muito!!

Beijinhos.