sábado, 30 de agosto de 2008


Conheço uma mulher estranha
que nunca precisou correr atrás
de nenhuma palavra.

Elas sempre vieram até mim.

Essa mulher não tem
palavras guardadas,
vai encontrando palavras
independentes de mim.

Vejo estrelinhas pelo canto do olho.
Vejo monstrinhos de mercúrio
e espermatozóides em superfície branca.
Vejo vazios
e os pedaços que faltam.

Me falto. Me ausento.
Me mato.

Ela observa as palavras
que atravessam a sua carne.
Eu, essa mulher permeável.

Permeável: que permite passagem.

Permite passar outros corpos
por seus poros,
por sua pele,
por sua alma.

4 comentários:

MARIAESCREVINHADORA disse...

Lindo.

Conceição

*** Cris *** disse...

"Permeável: que permite passagem."
Acho que isso, às vezes, se faz necessário...
Bom domingo!
Bjs!

José Calvino disse...

Querida Marthinha,
A sua poesia sugeriu a sensação de profundidade com perfeito domínio da sua arte de escrever."Permeável: que permite passagem..." Só então começamos a compreender a profundidade do sentimento poético estendendo-se
para todos nós.
Parabéns, poetamiga!
Bom domingo.
Beijão do,
Calvino
Recife

KimdaMagna disse...

Pedaços que faltam...
Complemento /força da procura.
As Almas são assim!Incessantes na busca!
(Para mandar o livro preciso de um endereço)

xaxuaxo