terça-feira, 26 de agosto de 2008

Em um Segundo, por Samantha Abreu

Bang!
.
.
E a menina assopra as velinhas,
arranca os papéis,
as máscaras,
e passa correndo pela sala,
rasgando-se
do vestido de babados.
As brigas na escola,
os castigos, depois os martírios.
O primeiro beijo
e o medo do pai,
segredos em diários
escondidos sob o colchão.
A incontrolável sede de abrir-se,
querendo o futuro,
o sexo e êxtases.
Um cotidiano alucinado,
drinks e drogas.
Saudade de casa,
da comida da mãe.
A liberdade tão negra,
as certezas tão cinzas.
Entrega-se às loucuras,
à vida e seu ilimitado desejo
de febres, de aventuras e bares,
cotovelos de apoio
e um copo cheio.
.
.
Bang!
.
[de onde veio a bala ninguém viu, mas ela só precisou de um segundo para lembrar de tudo]

6 comentários:

Yara disse...

íntimo
último
cinematográfico
preso na pólvora

o segundo
secundarizado

Augusto S. disse...

cruel o texto, cruel a ilusão de liberdade.. nos livramos de algo para que possamos nos prender em outras coisas. cruel, mas real.

parabéns, você vai na carne mesmo heim?

passo por aqui quando puder

*** Cris *** disse...

Uma viagem esse texto e pensar que o bang pode vir de qualque lugar...
Bom semana! bjs!

Three Love´s disse...

forte
emocionante!


mesmo que fique longe por tanto tempo, chego aqui e me prendo, encanto, espanto.

b.e.i.j.o.s.

atribui a vc um prêmio em Three Love´s

cláudia i. vetter disse...

é... é.

;**************

Dolfo disse...

tiro certeiro no ventre do poema.

abraços!