quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Enquanto, por Lais Mouriê


Enquanto o cheiro evaporava

enquanto o sono batia

meu cabelo molhado gritava

pelo arrombo de sua selvageria.


Enquanto à margem esperava

enquanto a maré emergia

minhas ilhas solitárias choravam

pelas suas pontes movediças.


Enquanto tua boca convidava

minha boca enquanto companhia

sua distância vilã se anunciava

e minha saliva vã se ressequia.

4 comentários:

Jucosfer disse...

Belíssimo!

Yara disse...

Até mesmo
o encanto de aguardar

O enquanto
úmido de salivar

um dia seca

Gabriele Fidalgo disse...

'Sua distância vilã se anunciava'.

Maravilhoso, lais!

beijos! :*

Salve Jorge disse...

Enquanto
Tudo parecia tanto
Vi que não haveria
Tanto que bastaria
Pra saciar o encanto

Enquanto
Tudo afundava
A própria maré naufragava
No rio do pranto
De lava

Enquanto
Havia o convite
Arriscou um palpite
Vacilou, no canto
Sob o manto
De quem desiste...

P.s - Acho que é seu texto que mais me fez...