segunda-feira, 11 de agosto de 2008

YARA COM IPISILON, por Karla Jacobina


Yara, com Ipisilon, morreu aos cinco anos de idade, ao descobrir, em um caderno de linhas que a linha que costurava seu nome não existia no alfabeto.
Mas como poderia morrer se não existia? Tedioso assim, Yara não podia morrer. Tiros e mais tiros mirados em seu ipisilon acertavam em cheio os pingos dos is.

Cresceu de boca fechada e aos gritos. Vez em quando vazava. Na juventude, conheceu Wanda, com dabliu e eram como unha e carne. Amigas de colégio, fumavam incensos e ouviam Raul. Wanda, menina estudada, sabia ler linhas de todos os tipos, inclusive as das mãos. Leu nos ipisilons descosturados de Yara, um futuro de presente invisível.

Yara apareceu no fantástico resolvendo equações de segundo grau em cinco segundos.
Casou-se aos vinte anos com Kleiton e tiveram dois filhos, Caren e Quim.
Suou a camisa vendendo picolés da Kibon e aos quarenta anos, enfim, realizou seu sonho: formou-se em tradução e intérprete.

Yara é tradutora de kás, ipisilons e dablius
e ganha a vida.

Um comentário:

Yara disse...

Da descostura dos meus ipisilons só traduzo versos...

Belo texto.