terça-feira, 9 de setembro de 2008

Meio-Ser, por Samantha Abreu

Por que me chamo ser,
se outros são mais
e não são?
Sou apenas o meio
do caminho,
dos sentidos,
da lucidez.

O meio-ser
que está em cada um
que vejo.
De metade em metade,
tento me fazer inteira.
Tento, luto, arrisco,
e sou apenas
essa tentativa
de ser o que não sou.

6 comentários:

Thiago Quintella disse...

Meio-ser! Gostei dessa. Não seria indícios de que somos completos somente com o outro-ser. Ou ser-outros?

Salve Jorge disse...

Na Grécia Antiga
Se entoava uma cantiga
Que dizia que Zeus
Do alto do seu status de Deus
Separou na metade
Os homens-hermafroditas
Que eram felizes e totais
Com as caras-metades
Ofendendo a divina vaidade
Receberam sina maldita
De não serem felizes jamais
E buscarem pela eternidade
Essa outra metade
Perdendo sua paz
Sempre buscando esse algo a mais
Que nunca se faz
É sempre alguém que trás
Incerta verdade
Maldição humana
Então desencana
E cacemos borboletas...

Aline Aimée disse...

Lindo demais, como tudo que vc escreve! Beijão!

Gisely Azevedo disse...

Lindo, lindo... É uma busca constante verdadeiramente. Mas me pergunto como deve ser qdo encontrarmos o q nos completa?

Cláudia I. Vetter disse...

tentando ser quem eu quero ser eu perco quem sou.

ah, eu sei.

;*****

Dolfo disse...

tens talento singular na poesia moça

para dizer e falar

um abraço