sábado, 20 de setembro de 2008

O rio, por Martha Galrão


O rio passava atrás da casa da minha prima Cristina, do lado oposto à casa de meu avô.
Não podíamos tomar banho porque no rio tinha Schistosomas e Sanguessugas.
Era um lugar úmido, e eu gostava de ver o rio e a correnteza.
A casa por onde passava o rio só tinha uma janela. Dois quartos, um quintal e um basculhante
de madeira sempre cheio de Lagartixas, seres abomináveis.
A frente da casa era a Livraria. Que eu amava. Nessa Livraria não se vendia livros mas canetas, adesivos e papéis.
O vizinho, seu Ercínio, criava a Araponga. Quem ouve o canto da Araponga jamais esquece.
Do outro lado da rua, numa enchente, tio Luiz sentou-se na janela para pescar. Apanhou de meu avô Brício, que considerou acinte tamanha descompustura.
Será que nunca nadei nesse rio? Tenho lembrança de mergulhos, de ir entrando devagarinho com medo das Sanguessugas.
Mas não sei se me molhei nas águas molhadas do rio ou se o mergulho foi nas águas do desvario.

5 comentários:

Conde Vlad Drakuléa disse...

Baixei!
Na fazenda Rio das Antas, 100 alqueires muito queridos de minha infância, também tinha o rio que deu nome a fazenda... Mas não tinha sanguessugas nele... Tinha muitas teias gigantes de aranha de rio... A única solução era virar o bote e passar por baixo d'água! Acho que foi dessa época que peguei "aracnofobia"... Excelente e delicioso texto! Beijos do conde!
Voei!

Cais da Língua disse...

"Mas não sei se me molhei nas águas molhadas do rio ou se o mergulho foi nas águas do desvario."
eis a dúvida eu fica

bjo a todas

Three Love´s disse...

adoro narrativas assim...
delícia de ler,

b.e.i.j.o.s.

Deusa Odoyá disse...

Olá minha nova amiga.
passei para conhecer seu blog e lhe desejar uma boa semana com muita paz e amor em seu coração.

È tão bom recordarmos a infância, essa vivida e bem aprovitada.

Beijos amiga.

Regina Coeli.

Te aguardo no meu cantinho.

José Calvino disse...

Querida Marthinha,
Você me fez recordar, e recordar é viver. Quando adolescente, já tomei muito banho no rio Beberibe (Passarinho) que passa ao norte da cidade do Recife, misturando-se às águas do rio Capibaribe...
Gostei do texto.
Parabéns, poetamiga!
Beijos do,
Calvino
Recife