terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vegetal Idade, por Samantha Abreu

foto de agatha katzensprung
.
E éramos, todos, sementes. E de paixão em paixão se germina, regados que somos pelo suor febril de poderosos amores. E se floresce, nutridos que somos pela beleza instantânea no bem-me-quer [e há, pois, beleza instantânea no bem-me-quer?]. E se cresce, se avoluma, somados que somos às dores que morrem e renascem.
Algumas de nós, sementes, não abrolham, mesmo se regadas. Não florescem, ainda que longe de mal-me-quer.
Mas todas, depois de tanto volume, padecemos com o peso dos galhos, nos dói o tamanho do tronco, chicoteiam a força das folhas. Arcadas, secamos. Então, paixões ressequidas não mais servem de adubo: nem sob suor, nem sob lágrimas.
E ninguém mais volta a ser semente. Nossa vegetal idade é finita.
.
.

3 comentários:

*** Cris *** disse...

"E de paixão em paixão se germina"
e assim nasce o amor ou morre,né?
Um abraço!
Boa semana!

Versos Insensatos disse...

Tempo, folhas caída, vento, que tormento isso hein?
Very good

Thiago A.

joao de miranda m. disse...

Texto muito bom. Abraço.