terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Fim em Fadiga, por Samantha Abreu

foto de Elliott Erwitt

Ele a olhava tão de perto a respiração tão profunda que ela ainda sentia o gosto do hálito nervoso Não quero ir ele disse Ainda te amo ele disse Ela pensava em abraçá-lo enquanto a boca o sentia tão seu tão entregue tão tocável Não é o momento lhe escapou É melhor assim separado e você não me merece O coração na boca as mãos suadas e o medo na garganta Seria a última vez de tantas idas e vindas tão lindas histórias de amor o tempo passando e a lei da atração esmorecendo frente ao frio do vento e o calor só por dentro Ele virou e saiu melancólico enquanto ela ainda derramava mágoas e a boca queimava de saudade vontade e vingança.
Amores de pressa e fadiga acabam sempre por morte morrida.

2 comentários:

Marcella disse...

Esses momentos são de tantas aflições. São tantas as sensações...mãos suadas, nó na garanta, frio na barriga...
Mas são essas sensações que tornam reais os momentos!
Gostei daqui! Beijos!

anjobaldio disse...

Gosto muito de todas vocês. Grandes escritoras. Bjs.