sábado, 18 de outubro de 2008

Se sou um galo
coma-me inteiro.
coma primeiro
meus pés
pois faiscaram
raspando terra e cascalho.
Coma-me nero
torrando os bicos.
Ponha minhas asas
na esteira lisa
do teu conflito.
Deita-me despedaçado
ao teu lado.
Coxas austeras
Pra tua goela.

Hilda Hilst

3 comentários:

Larissa Simione disse...

adorei o blog!!!

Parabens!!

MARIAESCREVINHADORA disse...

Coitado do galo, Marthinha, que comparação.
Adoro Hilda Hilst.


Conceição

Clóvis Campêlo disse...

Eu te toco e te tenho. Eu te devoro e sou você. Antropofagia pura!