terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Sete Chaves, por Samantha Abreu

foto de ioana petcu

Se me escancarassem as portas,
ainda te encontrariam aqui,
guardado.
Em minha cabeça as fantasias,

amores e dores
revirados, emaranhados,
depois do seu alvoroço
tentando sair.

Mas te tranquei a sete, ou tantas, chaves
secretas.
E perdi todas elas,
quem sabe, dentro de alguma outra gaveta
falsa:
no ventre, no peito
ou nos brônquios.

Mesmo se dilaceradas minhas paredes,
suas correntes eu não solto.
Na sua solidão confortável
murei meu forte.

Por mais que chute ou esperneie,
daqui de dentro você não sai.

.

6 comentários:

JOCENDIR CAMARGO disse...

Te desejo uma fé enorme,
em qualquer coisa,
não importa o quê,
como aquela fé que a gente teve um dia,
(Caio Fernando Abreu)

É assim que quero seus dias, com fé e alegria...
uma boa semana e meu beijo com carinho....

Karla Hack disse...

Enquanto lia pensei comigo... conhece a música bilhete? Sei que a Fafá de Belém canta, mas a letra é do Ivan Lins...
Bom seu poema tem a essência da música.. o sentir da música..
Só que enquanto em seus versos continua-se preso.. murado...
Na música liberta-se...
;D

P.S. Acho que viajei um pouco demais..

bjus

Rívea disse...


"Em minha cabeça as fantasias,
amores e dores
revirados, emaranhados,
depois do seu alvoroço
tentando sair .."

Já me peguei assim inúmeras vezes, melhor encontro-me nesse impasse!

Voltarei mais vezes ao blogue de Vocês, adorei!

Abraço.

Salve Jorge disse...

Sete portas tinha a cidade de Tebas
E mesmo assim caiu sob a maldição de Édipo
E dos seus
Sina
Tudo sina...

KimdaMagna disse...

e o parto gerará uma flor...


xaxuaxo

Victor Canti disse...

nossa, assim ele não sai mesmo, e se fosse eu não teria vontade de sair, é algo tão potente que surpreende..
parabéns!!
beijos
bom fds!!