sábado, 8 de novembro de 2008

Está quente lá fora, está gelado aqui dentro. Delírios são pânico num dia assim. Acho bonito lágrimas. Não precisa agradecer, gosto do seu cheiro de mato. Dancemos até que as acácias tenham florido. Prefiro cajuada. A cadela comeu de novo as graxas amarelas, devem ser doces. Os elevadores são incompreensíveis, gosto das escadas. Não sei que mãos apararam meu pai quando foi parido. Ou fala ou come. Talvez, se o presidente americano fumasse um beque, a guerra já teria acabado. Não sei quem inventou os passarinhos. Fui benzida com alfazema e charuto. Ninguém mandou um beijo. Nem abraço. Bater dói, e apanhar mais ainda. Cansei de quase tudo. Como se fala amor em quibundo? Não há cortinas, os fantasmas estão soltos. Meu ombro direito dói. Não sou Drummond e carrego o peso do mundo. Que medo. Que inferno é o medo. Gosto de lápis. A mão não acompanha a velô do pensamento. Eu não sei de nada. Mentira. Eu sei mas tenho medo. Não quero que aconteça de novo. Problema meu. Tenho um garrincha de estimação. Noite boa tem cantiga de ninar. Então tá. Boa noite.

Martha

inspiração: Cristiane Lisbôa

3 comentários:

Cosmunicando disse...

cara, nunca vi tão boa tradução da velocidade do pensamento...

José Calvino disse...

Querida Marthinha,

Gostei do seu "medo", da velocidade do pensamento... "...Como se fala amor em quibundo? Não há cortinas, os fantasmas estão soltos. Meu ombro direito dói. Não sou Drummond e carrego o peso do mundo. Que medo."
Bom domingo para todaos.
Beijos do,
José Calvino
Recife

Conceição Pazzola disse...

Gostei demais do texto, Martha.
Noite boa tem cantiga de ninar...
E tantas outras pérolas,juntas dizem o que pensamos mas não temos coragem de dizer.

Beijo,

Conceição