domingo, 16 de novembro de 2008

sobre escaladas e maremotos, por Juliana Hollanda

entre dois pontos uma reta
entre maçãs um riacho
ele sorri com os olhos e se zanga com o nariz

ombros curvam-se como se para conter algum deslizamento
de gelo, concreto ou areia
algo que cai; que desaba
ombros separam-se como que para abrir em círculos a vida
e demonstrar felicidade
para ele, demonstrar amor não era uma atitude corriqueira;
era ela quem tinha a mania de falar "eu te amo".

o "eu te amo" dela era verdadeiro e, por mais que ela tivesse medo que este eu te amo" virasse “acabou a pasta de dente”, ela insistia em repetir : "eu te amo!" – ouvia sempre variações de: "eu também", "também", "yo tambien" e "tá bom".
não que ele nunca falasse "eu te amo" também
ele falava, mas em ocasiões especiais.

para ela, a mais significativa fora naquela manhã em que ele a abraçou e disse as tais palavras. ele ainda estava dormindo, falou com seu inconsciente mais consciente e ainda complementou com o apelido que ela amava, mas pelo qual muito raramente atendia se chamada por ele.

rra amor verdadeiro aquele aperto no coração e a saudade que esburacava o peito quando longe
era deserto a tarde que rasgava as roupas e adormecia os braços.
era amor e dormência.
cumplicidade demonstrada
por cílios que piscavam
e sobrancelhas arqueadas
tal qual alguém que lacrimeja
o levantar de pés torcidos e joelhos ralados
um corpo crescido ou em desenvolvimento
com muita ou pouca massa muscular e gordura corporal
algo que levanta, resurge, renasce
revela

ombros que se abrem como o desdobrar de uma camisa para vestir
nariz que tal qual canino fareja

ela sorri com a boca e se zanga com os olhos
um mar no meio do rosto
uma ilha
entre dois corações
uma flecha.

2 comentários:

Leila Saads disse...

O amor é sempre uma ponte entre duas ilhas - alguns mais ilhas que outros...

=*

Felipe Rangel Prado disse...

muito linda