quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Penso, por Lais Mouriê


Penso em compadecer-me por amar um vulto. Por amar o mar maremotado pelos meus desejos. Penso e desculpo-me por minhas imperfeições; minhas dilacerações que secretam sangue e libido. Penso em dar-me conforto por desestruturar minhas certezas, por dar vazão aos meus seis sentidos e por me comer inteira quando deito-me com você. Penso em tolerar-me quando quero matar você de mim, e quando anseio me matar de te amar. Penso em perdoar-me por ser eu, e não quem você quer.

3 comentários:

Cosmunicando disse...

belo!

Beatrice Jasmin Noire disse...

Não perdôo
este ser você
que escreve assim maremotada

Salve Jorge disse...

Penso
Que é tenso
Ser tão imenso
Tão denso
Quanto és propensa
Espero que vença
Sem desavença
A descrença
Que se quer intensa
Já que na tensão
Da profusão
Da criação
Do encontro
Há o cancro
O confronto
E o tesão
Tanta aspiração
Em um monstro
Inspiração...