terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Armadura Moderna, por Samantha Abreu

foto de Marta Glinska
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A força da vida dói.
Ela acorda cedo, os olhos inchados. Ao se levantar, sente os pés arderem no chão gelado. Em cada passo até o banheiro seu corpo estremece e sua frio: o desespero lhe explode os poros, a vida amanhece e a joga em um cotidiano febril.
Não quer mais essa rotina de mulher moderna cheia de afazeres. Deseja apenas sua cama e suas tarefas domésticas realizáveis. Sob o chuveiro, imagina que a água leva pelo ralo toda sua revolta pelo despertar do dia. Ao banho foi entregue o cargo de filtro entre sua vontade de permanecer dona de casa e a necessidade de se jogar à vida que a espera na rua.
Ela resiste, mas depois de lavada com água e espuma, veste-se com o tal empreendedorismo feminino e finge satisfação o dia todo.

Tudo recomeça à noite.
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2 comentários:

Salve Jorge disse...

Armadura
Há mais dura
Alma fura
A má cura
Arma dera
Quem dera
Armadilha
Mas daí se disse "aguenta, minha filha.."

Maria Muadiê disse...

quais são as tarefas realizáveis?