terça-feira, 20 de janeiro de 2009

(Dis)para-te, por Samantha Abreu

foto de leszek kowalski

A contradição entre ser e estar.
Da impotência lhe nasce força.
Como a luta das ondas e das rochas
................................................. [afinal, qual delas desiste?].
E, de repente, quando não lhe resta escolha, a menina vive.
Assim: de sobras e de falta.
Por negação ela aceita o que há de vital em cada ínfimo fio de cabelo.
Restos que são tudo, medo que aduba coragem, o cinza das incertezas na claridade do impulso.
O reflexo em seu próprio rio negro.
O aperto da cama vazia, o travesseiro seco de lágrimas.
................................................. [na febre evaporam-se]

Tudo desconfortavelmente, mas ainda vida. A sua e única.
Mas dele sente falta quando não está.

A contradição dolorida entre ser e não.
.

4 comentários:

Adriana disse...

ser o não ser...o ventre ainda dirá.
adorei o blog!
http://anndixson.blogspot.com

~PakKaramu~ disse...

Visiting your blog

Conde Vlad Drakuléa disse...

A eterna luta entre as ondas e as rochas! Milênios se passam e elas continuam sempre no mesmo movimento igual... igual nada, cada baque das ondas nas rochas é diferente do outro, em mais de 4 mil anos jamais houve dois baques iguais, e é aí que está a maravilha da Criação! Beijocas do conde :)

Cláudia I, Vetter disse...

tu me calas tão completa, por que me dizes toda;
e tão magistral, querida!

;****