terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Etéreo, por Samantha Abreu

foto: Lara Jade
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E me disse que não sabe de onde vem tal força. Diga, homem, vamos. Meus cacos aos pés de todos e você fazendo hora. Na origem, era o sentido que se fez coisa.
Suas garras me tiraram do chão e minha vida sobrevoou um espaço pleno de eu e você. Planamos. E na queda, entre mortos e feridos, eu.
Saí da minha raiz, limpa e pura, para chegar a ti, nua. Teus casacos, tuas penas, tua pele.
Olhe pra trás e perceba o quanto de mim se perdeu pelo caminho, como tenho os membros magros, a alma dura e o peito vazio – é somente você, no vácuo.
Por um momento, desejo que em nome dessa situação vexatória você me arremesse de volta ao meu ninho. Assim, talvez, eu tente reaprender a voar. E você volte a ser de rapina.

2 comentários:

Miguel Barroso disse...

Quase se vê a águia....



Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

Aline Aimée disse...

Lindo, lindo! Visionária!!!