quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Num colchão macio, por Lais Mouriê

Jazia uma leve desesperança em mim, uma adocicada avalanche de desilusão e desgosto, tão doce quanto a soturnez da noite de Fevereiro. Eu sentia um acorde monótono da minha antiga e perene dor, soterrada por eflúvios amorosos e sexuais. Nunca dava-me conta de que a nostalgia de todo fim de tarde era a erupção colorida da minha noturna solidão. Nem sequer percebi que meu corpo prostrado pelo resfriado era a necessidade de deitar minha angústia, em algum colchão macio e com lençóis cheirosos. Procurarei dar lugar a minha sombra. Ela precisa iluminar minha equivocada alegria.

4 comentários:

Larissa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriele Fidalgo disse...

Minha querida amiga,
como você consegue transformar, tão bem, emoções arrebatadoras em textos maravilhosos?

um beijo!

Thiago Quintella disse...

Uma interessante e talvez bem eficaz maneira de arrebatar a frustração, ou a ideia dela. Excelente!

Salve Jorge disse...

Pra tamanho desvario
Um assovio
Pra chegar macio
Ao colchão vazio
Ou o contrário
Desde que saia do armário
Tamanho relicário
Já que não há no dicionário
Suficiente vocabulário
Para desfazer o que fez Dário
MAs nunca custa tentar...