domingo, 18 de janeiro de 2009

Procuras, por Juliana Hollanda

(olhares.com)

é noite, faz frio e ela acabou de fazer o batom vermelho deslizar pelos lábios. sem duplo sentido ela sacode os cabelos e ajeita o soutien. olha pela última vez no espelho, dá um gole no vinho, tira a chave do trinco e bate a porta.
está agora no hall e impaciente, acende um cigarro antes do primeiro trago. o elevador chega e ela sem pressa coloca a bolsa na porta para prendê-la. os outros que esperem, não estou atrasada, vou terminar de fumar: - ela pensa.
entra no elevador aperta o botão do “T”, dá boa noite para o porteiro e se entrega para as luzes da rua.
procura a chave do carro na bolsa, entra, ajeita o retrovisor, retoca o batom, prende os cabelos (para dirigir é melhor cabelo preso;ela sabe).
liga o carro, o rádio e começa a cantar enquanto procura algum retrato no asfalto, alguma lembrança, um rumo,
o caminho.

Um comentário:

José Calvino disse...

Texto curto, Ju nos chama a atenção pelo que há de existencial, por sua real naturalidade. Aposto na caminhada literária (porque é poético)de Ju, em que resulta num sketch cinematográfico: Procuras... A personagem, até o destino final: O caminho.
Parabéns, poetamiga!
Beijos do,
José Calvino
Recife