quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A casa branca, por Lais Mouriê

Desça seco como asco, uísque, assim, sem gelo e sem perdão. Não se apiede de mim, pois não quero aquietar meu coração com refúgios e promessas de felicidade. Tocar pianos nunca foi meu hobbie, uísque. Sempre preferi a dor aguda de uma guitarra desafinada, de uma voz embrutecida pela desesperança, de um soneto escrito a sangue e purpurina. Se me esfolo entre as paredes estreitas, é porque escolho os caminhos mais vivos. E vida é isso, uísque, esfolar-se para sentir, intensidade para não ter a sensação mortífera do nada. Sim, quero paz, quero um amor, quero um cão e uma casa branca de frente para o mar de Ilha Bela. Só não quero ser obrigada a sorrir hipocritamente, quando o meu desejo é ter você, uísque, tornando minha dor possível, e assim inevitavelmente dissipável.

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