terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Meta(eu)foricamente Amor, por Samantha Abreu

"Meu coração é um almirante louco,
que abandonou a profissão do mar (...)”

Fernando Pessoa
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Imaginar é natureza.
Se dedos fossem corpo, seria tão mais fácil te amar. Mas eles custam a se perderem, buscam o tato secreto que te contenha.
Fantasiar-te me exige metáforas plenas. Daquelas que o amor nem sempre concede. Amor oportunista: figurações só são possíveis quando o mimam. Tem sido sempre assim. E sem elas [as tais metáforas] como transformo meu tato no seu?
O amor goza do poder que manipula meu [nosso?] imaginário. Pela vontade dele minha natureza trabalha a favor do universo, minha imaginação nos coloca no sentido mais doce dos sonhos, e minhas digitais ficam sensíveis até à minha própria casca.
Contudo, quando ele se ausenta, meus dedos passeiam apressados e distraídos sobre uma carne inerte e apática. Aí, nenhuma metáfora me alcança e nenhuma invenção é naturalmente digna de representar a vontade do amor.
Amar é estar sobre, é dominar, o mundo das metáforas.
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2 comentários:

KimdaMagna disse...

uma carne inerte e apática se calhar é imaginação da natureza.

meta(se)fora de seu corpo, quem sabe aí se encontre o tato secreto...

xaxuaxo

Conde Vlad Drakuléa disse...

Bonjour!
Mas realmente, quem será que leva mais vantagem nessa guerra, o amor ou a imaginação? Lindo texto!

Beijos do conde, au revoir!