domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sobre demolições e água na boca (I), por Juliana Hollanda


desejos mergulhados numa fonte submersa

cachoeira que molha a nuca

e seca o suor dos pensamentos


travesseiros de água

em travessuras de língua macia

mãos e carícias que revelam

o que pode estar oculto

há tempos demais


diversão instantânea

num cruzar de olhares

num fechar de olhos

num encostar de bocas

e narizes


emoções absorvidas

num grito alto


fonte que jorra sentires

em via de mão dupla.


encontro de singularidades

pandeiro, tambor e tamborim


ritmo agitado

de uma música que se canta

com formigueiro nos pés

e dedos apontados para o alto.


[purpurina e piração]


liberdade revelada

numa tarde de carnaval.

o amor pode nascer assim

numa fonte submersa,

na cachoeira

ou no canto de um beija-flor.

Um comentário:

Adriana disse...

o poema também nasce assim, submerso.gostei daqui!