domingo, 15 de fevereiro de 2009

sobre pedras e pérolas (I)

vida à dois no além
do que pode ser observado
é um beijo no rosto singelo
depois de uma trepada violenta
que foi a melhor de todas
as taras já realizada por vocês

na cama,
sobram ilusões de ótica
espatifadas no chão
copos de cristal estilhaçados
poças de vinho
poeira e pêlo de cachorro
espalhados pelo chão

no lençol,
uma construção minimalista
de cheiros, saliva, esperma e
desilusão

o alicerce da vida
precisa de óculos para ser desconstruído
e as mãos atadas
precisam de tesoura para desatar nós
os problemas não interagem entre si
e nem sabem conversar
não existem palavras

palavras não fazem efeito
em momentos de desespero

a dor dos problemas
é grande demais
e como carregar
portas de madeira maciça nos ombros
e sacos de cimento de 20 kg's

um amor pode morrer nesta asfixia
ser atropelado
ou cometer suicidio

diferentemente da eutanásia
é dessa forma que se planeja um assassinato
ou sequestro relâmpago

dentro da insatisfação
de ter que ir a uma loja de utensílios domésticos
comprar um novo conjunto de copos
com o propósito de receber
convidados em casa
para sua festa de aniversário
quando não se tem mais dinheiro na conta corrente
e nem esperança.

2 comentários:

Fábio disse...

Parabens pelo blog!

Ítalo Bruno disse...

Muito legal o teu blog, gostei dessa idea de cabeças diferentes, mundos diferentes dentro de um mesmo universo feminino.

Voltarei mais vezes e com calma, pra ler as coisas antes postadas, mas sobre o poema em si, me passa o peso da vida a dois, insatisfações caladas cheias de impotencia, as vezes se sentir solto d+, as vezes preso, preso a essas tensões, a essa cruz, as vezes ter que engolir sapos, e por momentos isso vai se sobrepondo aos sentimentos primitivos que os unem.

"um amor pode morrer nesta asfixia
ser atropelado
ou cometer suicidio"

Gostei d+.

xero