quinta-feira, 5 de março de 2009

Saudadezinha em dia de sol, por Lais Mouriê


A saudade de nada adiantou.

Era verão e o sol ofuscava a cor esbranquecida da saudade, que dava indícios de sobrevivência, a despeito de todo mar e músculos presentes naquela praia populosamente insuportável.

A saudade dona de si, a saudade vilã de filme de bang-bang; a saudade que eu pintei de rosa no dia em que matei você. Um dia minha mãe me disse que as coisas não morrem, mas meu cachorro me deixou e nunca mais voltou.

Ele não voltou, mas a saudade se instalou, um renascimento de fênix sem a forma morena da sua pele. Uma saudade cinza salpicada de sal e água.

Um livro lido pela enésima vez e a saudade mudou de nome: agora chama-se ...

Um comentário:

Salve Jorge disse...

Como se chama mesmo?
Creio que vontade
De dobrar o tempo
Pela necessidade
De uma metade
De um pedaço
De qualquer laço
Pra singrar o espaço
E ao dar mais um passo
Poder se jogar...