quinta-feira, 7 de maio de 2009

Domingo tarde, por Lais Mouriê


Para quem parte, sem levar o que não viveu, fica apenas o meu não-sorriso velado pela renda branca do meu véu. Não há santidade na minha escuridão. Meu véu não esconde a derrota da tarde de domingo. Mas eu levo comigo. Levo o leve tremer de suas pupilas durante nosso gozo. Carrego, leve, o gosto do levedo da cerveja de sua boca. E a tristeza do seu transfigurado sim.

Sim
Não
Talvez

Para você que parte assim, cansado de prazer e tesão, fico com as pernas bambas e abertas. Fico e carrego o seu não-filho, vou e carrego-te incrustado nos meus mamilos. Naquela calmaria de tarde praiana, levo seu líquido quente escorrendo nas águas mornas do mar. Numa tarde de domingo há milênios projetada.


Nossa tarde de domingo presente...
presente, para quem fica.

Um comentário:

Salve Jorge disse...

Pra quem fica
Vale a dica
Inválida
De que uma rosa cálida
Se faz mais rica
Quando o que a pica
Não a faz pálida
Mas sim escarlate
Pois mesmo que a mate
Impávida
É pelo que bate
Que a gente se pinica...